Colaboração interdepartamental de operadores logísticos nas importações do Brasil
Almeida, Bianca Simões de Campos
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Resumo
As pequenas e médias empresas (PMEs) brasileiras enfrentam desafios significativos nas operações de importação em razão da elevada complexidade regulatória, da fragmentação dos processos logísticos e da necessidade de coordenação entre múltiplos agentes envolvidos no comércio internacional. Nesse cenário, os operadores logísticos desempenham função estratégica ao centralizar fluxos operacionais, documentais e informacionais, tornando a integração entre seus departamentos um fator relevante para a eficiência das operações. O presente estudo analisa de que forma a colaboração interdepartamental de operadores logísticos pode influenciar as operações de importação de PMEs no Brasil. Parte-se da premissa de que a eficiência interna desses operadores — especialmente a integração entre seus departamentos, maturidade relacional e evolução dos mecanismos de governança — podem exercer influência direta na qualidade, na agilidade e na segurança das operações conduzidas para pequenos e médios importadores. Para isso, adotou-se uma abordagem qualitativa baseada em dois estudos de caso, tendo como unidade de análise a díade importador–operador logístico. Foram analisadas as percepções e experiências de gestores de dois operadores logísticos (um de pequeno e um de médio porte) e de duas PMEs importadoras (uma de pequeno e uma de médio porte). A coleta de dados ocorreu por meio de entrevistas semiestruturadas e observações, possibilitando identificar fatores internos que podem impactar positiva ou negativamente as operações dos importadores. Os resultados demonstram que operadores logísticos com maior nível de integração entre áreas operacionais, comerciais e aduaneiras apresentam maior capacidade de coordenação interna, redução de falhas operacionais e melhoria da previsibilidade dos processos de importação. Observou-se que práticas como compartilhamento estruturado de informações, alinhamento entre departamentos, padronização de rotinas e comunicação interfuncional contribuem para redução de retrabalho, maior agilidade no fluxo documental e melhor capacidade de resposta às demandas das PMEs importadoras. O estudo também identificou que limitações na comunicação interna e baixos níveis de maturidade relacional tendem a gerar atrasos, desalinhamentos operacionais e perda de eficiência ao longo das operações de comércio exterior. Nesse sentido, os achados reforçam que a colaboração interorganizacional não representa apenas um fator administrativo interno, mas um elemento estratégico diretamente relacionado à qualidade e à confiabilidade dos serviços logísticos prestados. Como contribuição teórica e gerencial, a pesquisa amplia a discussão sobre colaboração interdepartamental em operadores logísticos e a integração interorganizacional, no contexto do comércio exterior brasileiro, além de oferecer subsídios práticos para o aprimoramento da coordenação interna, da governança operacional e da eficiência dos serviços direcionados às PMEs importadoras.
Ficha do documento
- Tipo
- Dissertação
- Ano
- 2026
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/39220
- Palavras-chave
- Integração intraorganizacionalColaboração interdepartamentalOperadores logísticosLogística internacionalImportaçãoMaturidade relacionalIntraorganizational integrationInterdepartmental collaborationLogistics operatorsInternational logisticsImportationRelational maturityAdministração de empresasLogística empresarialRelações interorganizacionaisPequenas e médias empresas
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