A governança das plataformas digitais de negócios para a sustentabilidade da cadeia de alimentos
Guimarães, Camilla Maria Cavalcante
O documento é disponibilizado pela fonte de origem, que mantém a versão integral e as condições de uso.
Resumo
Os esforços na construção de conhecimento na gestão de cadeias de suprimentos sustentáveis permanecem escassos, indicando a ausência de cadeias efetivamente sustentáveis pela falta de uma visão holística da cadeia ou das dimensões da sustentabilidade, ausência de metodologias alternativas ou foco em um tema (ASHBY; FAIK; KANKANHALLI, 2012; DUBEY et al, 2017; PAGELL; SHEVCHENKO, 2014; TOUBOULIC; WALKER, 2015). Nesse sentido, as práticas e tecnologias digitais podem facilitar o desenvolvimento de cadeias de suprimentos sustentáveis, reduzindo o desperdício de alimentos que ocorre ao longo de toda a cadeia de suprimentos e em todas as etapas da produção até o consumo, representando um problema econômico, social e ambiental. Destacada sua importância em cinco dos dezessete objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), com preocupações quanto à erradicação da fome, segurança alimentar e promoção da agricultura sustentável, a redução do desperdício de alimentos na cadeia agroalimentar proporciona benefícios sociais, como o aumento da renda de pequenos produtores, a redução da fome e a promoção de segurança alimentar. Diante disso, o presente estudo tem como objetivo analisar a governança das plataformas digitais de negócio na cadeia sustentável de alimentos. Para o desenvolvimento do estudo, foi realizado um mapeamento das plataformas digitais brasileiras que atuam direta ou indiretamente na redução do desperdício de alimentos em que o produtor rural é um dos usuários e foram selecionadas três delas. Na fase de coleta de dados, foram realizadas entrevistas com proprietário das plataformas, usuários e parceiros e análise de documentos e relatórios das plataformas. Os dados foram examinados intra e crosscase para garantir uma análise aprofundada e comparativa das plataformas. Os resultados demonstram que as plataformas são motivadas em sua proposta de valor para gerar impacto na cadeia, mas o desperdício de alimentos é tratado predominantemente como custo, que por meio da colaboração é reduzido ou transferido, com a previsibilidade da venda, estratégias de cestas prontas para escoar a produção para o produtor e na comunicação e informação para conscientização e conhecimento sobre as possibilidades de aproveitamento total do alimento para o consumidor. O produtor naturaliza o desperdício de alimentos, sendo o planejamento e a gestão comercial as principais causas, que por meio de mecanismos contratuais como acordos de pedidos e desenvolvimento de cartilhas, podem gerar garantias e previsibilidade na relação com a plataforma. Por outro lado, os mecanismos formais de monitoramento e controle, como o estabelecimento de padrões e normas, definição de regras e classificação de qualidade que geram devolução do pedido para o produtor, estímulo a valorização de padrões estéticos para o consumidor e problemas no relacionamento com os parceiros.
Ficha do documento
- Tipo
- Tese
- Ano
- 2021
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/31768
- Palavras-chave
- GovernanceFood wasteSustainabilityDigital platformsSustainable supply chainGovernançaDesperdício de alimentosSustentabilidadePlataformas digitaisCadeias de suprimentos sustentáveisAdministração de empresasLogística empresarialInovações tecnológicasResíduos orgânicosDesperdício (Economia)
Conteúdos relacionados
- DissertaçãoAdoção de blockchain para sustentabilidade em cadeias de suprimentosFundação Getulio Vargas · 2021
- DissertaçãoCircular economy practices and technologyFundação Getulio Vargas · 2024
- DissertaçãoAnalysis of environmental sustainability practices in the cattle supply chainFundação Getulio Vargas · 2022
- DissertaçãoThe impact of blockchain technology on eco-labelling schemesFundação Getulio Vargas · 2020