Extreme heat and socioeconomic inequalities in the world and in Brazil
Coelho, James Van Costa
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Resumo
A exposição ao calor extremo é uma preocupação crescente em todo o mundo, especialmente em regiões tropicais como o Brasil, onde populações vulneráveis podem enfrentar exposições desiguais ao calor, devido a disparidades geográficas e socioeconômicas. A exposição a temperaturas extremas representa riscos significativos à saúde, com desigualdades evidentes em diferentes localidades e populações. Investigamos as disparidades na exposição ao calor extremo em nível mundial e no Brasil. Os dados de calor extremo foram obtidos do Socioeconomic Data and Applications Center (SEDAC) - NASA, que fornece contagens anuais de dias em que a Temperatura Máxima do Globo de Bulbo Úmido (WBGTmax) ultrapassou os limites de 28, 30 e 32°C. Esses dados possuem uma resolução espacial de aproximadamente 5 km por célula de grade. Os dados socioeconômicos foram obtidos do Índice Global de Privação Relativa (GRDIv1), também fornecido pelo SEDAC, que mede a privação multidimensional com uma resolução espacial de aproximadamente 1 km. Aplicamos Modelos Aditivos Generalizados (GAMs) para avaliar a relação entre percentis de pobreza e exposição ao calor extremo em diferentes limites de WBGTmax. Globalmente, estratificamos a análise por continente e áreas urbanas/rurais. Para WBGTmax >28°C, os 10% mais ricos (p1) mostraram uma associação negativa com a exposição ao calor extremo (-0,037, IC 95%: -0,041, -0,032 dias por ano), enquanto os 10% mais pobres (p5) exibiram uma forte associação positiva (5,712, IC 95%: 5,680, 5,744 dias por ano). Padrões semelhantes foram observados para WBGTmax >30°C e >32°C. Os resultados variaram entre os continentes. Na Europa, as áreas urbanas mostraram um pequeno aumento na exposição, enquanto as áreas rurais apresentaram coeficientes de regressão variados. Na América do Norte, houve declínios acentuados em áreas urbanas e rurais. Na Ásia, as áreas urbanas apresentaram declínios significativos, e as áreas rurais tiveram declínios persistentes. A África exibiu resultados mistos, com declínios e aumentos. Na América do Sul, houve altos coeficientes positivos tanto em áreas urbanas quanto rurais, enquanto a América Central mostrou coeficientes negativos mais acentuados em áreas rurais. Esses resultados destacam a natureza complexa das disparidades na exposição ao calor e a necessidade de intervenções direcionadas para mitigar os riscos à saúde, especialmente em regiões vulneráveis. No Brasil, o estudo visa avaliar as disparidades na exposição ao calor extremo considerando fatores como região e raça. Os modelos foram ajustados para índice socioeconômico e diferenças regionais, a fim de estimar os efeitos do calor extremo em diferentes grupos raciais e regiões geográficas. Os resultados revelaram disparidades significativas na exposição ao calor, com as populações negras e indígenas sendo desproporcionalmente expostas, particularmente a WBGTmax >28°C. A região Norte, caracterizada por maiores níveis de pobreza, apresentou a maior exposição, enquanto as regiões Sul e Sudeste mostraram níveis de exposição mais baixos. Nosso estudo destaca consideráveis disparidades na exposição ao calor extremo, impulsionadas por fatores geográficos, socioeconômicos e raciais no Brasil. Esses achados ressaltam a vulnerabilidade das populações marginalizadas, especialmente em regiões mais pobres, e clamam por políticas públicas direcionadas a reduzir as desigualdades na exposição ao calor.
Ficha do documento
- Tipo
- Dissertação
- Ano
- 2024
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Inglês
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/36038
- Palavras-chave
- Extreme heatSocioeconomic vulnerabilityClimate change impactsEnvironmental justiceBrazilCalor extremoVulnerabilidade socioeconômicaImpactos das mudanças climáticasJustiça ambientalBrasilAdministração públicaMudança social - Aspectos ambientaisMudanças climáticas - Aspectos sociaisDegradação ambiental - Aspectos sociaisSaúde ambiental
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