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Tese

Transparência na política monetáriateoria, empírico e projeção

Lima, Daniela Cunha de

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Resumo

Ao longo dos últimos anos observamos uma enorme evolução na comunicação dos bancos centrais ao redor do mundo. Além do caráter informacional, a transparência atua na coordenação dos agentes e é considerada hoje importante aliada no controle de expectativas de inflação. A despeito do avanço no sentido de maior transparência, há questionamentos de até que ponto ela é realmente desejável do ponto de vista social. Essa tese analisa a decisão de aumentar a transparência em um ambiente de informação incompleta, o efeito empírico da transparência na inflação e avalia a capacidade preditiva de modelos de inflação. O primeiro capítulo desenvolve um modelo em ambiente de informação incompleta. A partir de um jogo estilizado em que a coordenação é desejável do ponto de vista individual, os agentes utilizam sinais públicos e privados para escolherem suas ações. O processo de aquisição de informação privada é endógeno e os agentes escolhem o quanto investir na precisão da informação privada a um custo linear. Além de ter por objetivo estabilizar a economia, a autoridade monetária decide o quanto revelar na informação pública. A informação pública tem um papel duplo: expandir o conjunto informacional e coordenar as expectativas dos agentes. Contudo, por atuar no high order belief, a informação pública pode coordenar excessivamente os agentes, potencializando os danos de eventuais erros. Esse capítulo foca nas seguintes questões: Há ganhos em aumentar a precisão da informação pública? Em que situações maior transparência aumenta o bem estar social e em quais circunstância a opacidade é ótima? Os resultados apontam que maior precisão na informação pública pode gerar aumento no bem estar agregado, especialmente quando a informação recebida privadamente pelo governo não é extremamente precisa e quando o custo de se obter informação privada é um canal importante. Para os casos em que a informação recebida pelo governo é extremamente precisa, a opacidade é ótimo. O segundo capítulo analisa empiricamente os efeitos da transparência do banco central no nível da inflação. A partir de um painel com 100 países, avaliamos se maior transparência está associada a menor inflação, quais tipos de transparência são mais relevantes e, principalmente, se o efeito da transparência na inflação é diferente entre países emergentes e desenvolvidos. A estimação enfrenta o problema de variável omitida: características não observáveis de determinado pais podem levar tanto à maior transparência, quanto à menor inflação. Para tentar controlar essa questão, utilizamos três metodologias diferentes: uma estimação de painel dinâmico via GMM (S-GMM) em dois passos desenvolvido por Arellano-Bover e Blundell-Bond, um painel de efeito fixo e uma estimação de mínimos quadrados ordinários. Os resultados apontam que há sim evidências de que países com maior transparência possuem menor inflação. Ainda, o efeito da transparência em países não desenvolvidos é altamente significante e negativamente correlacionado com nível da inflação, enquanto o efeito para países desenvolvidos é menor e pouco significante. Aumento de transparência em países emergentes pode estar relacionado a maior compromisso no controle inflacionário e credibilidade. Assim, maior transparência tende a ter impacto relevante na inflação desses países. Ao analisarmos os cinco tipos de transparência que compõe o índice, a transparência de política monetária foi a que se mostrou significante de forma mais frequente. Este tipo de transparência está associado a explicações tempestivas de decisões de política monetária e sinalizações sobre a trajetória de juros futura, enquanto os demais sub-índices possuem características mais estruturais e burocráticas, com efeitos de longo prazo. O terceiro capítulo compara a capacidade de projetar a inflação ao consumidor no Brasil (IPCA) fora da amostra de três metodologias: o MIDAS, um VAR aumentado com fatores (FAVAR) e um modelo de frequência mista e fatores dinâmicos de nowcast. Ao longo dos últimos anos, diversos modelos de projeções de inflação foram sugeridos. Em adição aos modelos tradicionais de séries de tempo, novas abordagens permitem o uso de um grande número de variáveis e a incorporação de amostras em diferentes frequências na mesma estimação sem que haja sobreparametrização. Neste capítulo, procuramos avaliar qual tipo de metodologia é melhor para prever a inflação de curto prazo no Brasil. Estimamos os modelos em janelas de quatro anos, com a previsão fora da amostra para o ano seguinte e horizonte de previsão um mês à frente e comparamos o desempenho dessa estimação fora da amostra dos três modelos com um modelo naive AR(1). Os resultados apontam que as projeções realizadas com a tecnologia MIDAS são muito mais acuradas do que àquelas estimadas pelo FAVAR e pelo nowcast, e todas as três metodologias se mostraram superiores ao AR(1). Percebemos que houve piora significativa na capacidade preditiva nos modelos anos de 2015 e 2016, principalmente nas projeções dos modelos FAVAR e nowcast. Ainda, observamos ganhos de acurácia na combinação de projeções: a média aritmética simples das projeções possui erro menor do que as projeções individuais realizadas em cada estimação.

Ficha do documento

Tipo
Tese
Ano
2017
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Não informado
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/19008

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