Logo
Tese

The making of digital public infrastructure

Sanches, Bruno Henrique

O documento é disponibilizado pela fonte de origem, que mantém a versão integral e as condições de uso.

Resumo

Esta tese investiga como uma infraestrutura digital se torna uma coisa pública. A questão é abordada por meio do caso do Pix, o sistema de pagamentos instantâneos lançado pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2020, que em cinco anos alcançou 76% dos adultos brasileiros, superou os volumes de cartões de crédito e débito em 2023 e tornou-se objeto de propostas de emenda constitucional, intervenções presidenciais e defesa diplomática em disputa comercial internacional. Por todos os critérios que a literatura sobre infraestrutura pública digital articula, o Pix entregou. O que a literatura não antecipou, e o que esta tese teoriza, é o que tal arranjo produz quando a promessa é cumprida. A partir de uma metodologia abdutiva e interpretativista que combina dados documentais, etnográficos e experienciais coletados entre 2020 e 2025, e da linhagem da política material de Dewey a Marres, Latour e Honig, a tese argumenta que uma infraestrutura digital se torna uma coisa pública por meio de um processo que denomina publicização. O processo articula duas operações constitutivas — a inscrição soberana, pela qual a autoridade soberana fixa propriedades interdependentes e não-contornáveis no nível arquitetural, e a execução delegada, pela qual a realização operacional dessas propriedades é encaminhada por um campo de intermediários de mercado — e se desenrola como um ciclo de politização e estabilização impulsionado pela redescrição das propriedades inscritas à medida que são deslocadas entre domínios. A tese contribui para três corpos de literatura. Para os estudos de Sistemas de Informação sobre plataformas e infraestruturas digitais, expõe a pressuposição de que o fechamento arquitetural é emergente e desenvolve o vocabulário para arranjos cujo fechamento é constitutivo. Para a tradição dos públicos e das coisas públicas, articula a publicização como o processo pelo qual arranjos soberanamente inscritos se tornam objetos de vinculação democrática. Para a literatura de políticas públicas sobre DPI, argumenta que os critérios administrativos em torno dos quais o campo convergiu são necessários, mas insuficientes. A publicização nomeia um destino para arranjos digitais em escala populacional distinto da plataformização, já em curso no Brasil e oferecido aqui como um quadro para sua leitura em outros contextos.

Ficha do documento

Tipo
Tese
Ano
2026
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Inglês
Acesso
Não informado
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/39226

Conteúdos relacionados

Voltar à Biblioteca
Logo