Logo
Dissertação

Sem julgamentoIA versus humanos como conselheiros em contextos sensíveis

Marim, Victor Hugo dos Santos

O documento é disponibilizado pela fonte de origem, que mantém a versão integral e as condições de uso.

Resumo

Este trabalho investiga de que forma o tom da mensagem (neutro versus julgador) e o tipo de agente (inteligência artificial versus humano) influenciam a aceitação de conselhos em contextos sensíveis, e qual o papel da percepção de julgamento nesse processo. O argumento principal é que a eficácia da IA como conselheira não é inerente à sua natureza, mas contingente a como a mensagem é comunicada. Com base na Teoria do Sociômetro (Leary et al., 1995), propõe-se que a percepção de julgamento social explica tanto a abertura ao aconselhamento quanto as reações de resistência quando expectativas de neutralidade são violadas. Adotou-se um desenho de método misto sequencial, combinando uma fase qualitativa exploratória e uma fase experimental confirmatória. Na etapa qualitativa, foram realizadas cinco entrevistas em profundidade com usuários de ferramentas de IA para aconselhamento pessoal, analisadas por meio de análise temática. Na etapa quantitativa, foi conduzido um experimento fatorial 2 × 2 entre sujeitos, com 136 participantes brasileiros recrutados via Prolific, manipulando o tipo de agente (IA versus humano) e o tom da mensagem (neutro versus julgador). As análises foram realizadas por MANOVA, ANOVAs fatoriais e modelo de mediação moderada via PROCESS Macro (Hayes, 2018), Modelo 14, com bootstrapping de 5.000 amostras. Os resultados qualitativos revelaram que a ausência de julgamento percebido é o principal diferencial da IA, favorecendo maior autorrevelação, sensação de privacidade e controle, além de evidenciar complementaridade entre IA e humanos. No experimento, o tom julgador aumentou significativamente a percepção de julgamento e reduziu a aceitação do conselho, com efeito emocional de grande magnitude (d = 1,06 para autoestima reversa). A análise de mediação moderada revelou que o efeito indireto do tom sobre a aceitação, via percepção de julgamento, foi significativo apenas na condição IA (IE = −0,318, IC 95% [−0,537; −0,134]) e não significativo na condição humana (IE = −0,082, IC 95% [−0,222; 0,046]), com índice de mediação moderada significativo (0,236, IC 95% [0,049; 0,445]). Esses resultados indicam que a vantagem da IA em contextos sensíveis é contingente ao estilo comunicacional adotado: quando a IA viola a expectativa de neutralidade com tom avaliativo, a resistência ao conselho é desproporcionalmente amplificada. O estudo contribui ao demonstrar que a percepção de julgamento é o mecanismo pelo qual o tom afeta a aceitação, e que esse mecanismo é exclusivamente ativado quando o conselheiro é uma IA, refinando a literatura ao mostrar que a vantagem da IA não é inerente à sua natureza, mas contingente ao seu estilo comunicacional. Implicações gerenciais indicam que sistemas de IA devem adotar linguagem empática, informativa e não julgadora. As análises foram realizadas por MANOVA, ANOVAs fatoriais e modelo de mediação moderada via PROCESS Macro (Hayes, 2018), Modelo 14, com bootstrapping de 5.000 amostras. Os resultados qualitativos revelaram que a ausência de julgamento percebido é o principal diferencial da IA, favorecendo maior autorrevelação, sensação de privacidade e controle, além de evidenciar complementaridade entre IA e humanos. No experimento, o tom julgador aumentou significativamente a percepção de julgamento e reduziu a aceitação do conselho, com efeito emocional de grande magnitude (d = 1,06 para autoestima reversa). A análise de mediação moderada revelou que o efeito indireto do tom sobre a aceitação, via percepção de julgamento, foi significativo apenas na condição IA (IE = −0,318, IC 95% [−0,537; −0,134]) e não significativo na condição humana (IE = −0,082, IC 95% [−0,222; 0,046]), com índice de mediação moderada significativo (0,236, IC 95% [0,049; 0,445]). Esses resultados indicam que a vantagem da IA em contextos sensíveis é contingente ao estilo comunicacional adotado: quando a IA viola a expectativa de neutralidade com tom avaliativo, a resistência ao conselho é desproporcionalmente amplificada. O estudo contribui ao demonstrar que a percepção de julgamento é o mecanismo pelo qual o tom afeta a aceitação, e que esse mecanismo é exclusivamente ativado quando o conselheiro é uma IA, refinando a literatura ao mostrar que a vantagem da IA não é inerente à sua natureza, mas contingente ao seu estilo comunicacional. Implicações gerenciais indicam que sistemas de IA devem adotar linguagem empática, informativa e não julgadora.

Ficha do documento

Tipo
Dissertação
Ano
2026
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/40122

Conteúdos relacionados

Voltar à Biblioteca
Logo