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Tese

Maybe it's time to let the old ways dieinvestigating resilience strategies at Brazilian eletricity sector

Viana, Frederico Campos

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Resumo

A resiliência tornou-se um conceito central nos debates sobre sistemas elétricos, à medida que mudanças climáticas, eventos extremos e o aumento da complexidade sociotécnica desafiam a estabilidade de infraestruturas críticas em todo o mundo. Apesar de seu uso disseminado, a resiliência permanece conceitualmente fragmentada, particularmente na pesquisa sobre sistemas elétricos, onde perspectivas técnicas, institucionais e socioecológicas frequentemente evoluem em paralelo. Esta tese de doutorado investiga como a resiliência é construída, estabilizada e limitada ao longo do tempo na indústria elétrica brasileira, um sistema de grande escala, altamente regulado e dependente da natureza, caracterizado por forte coordenação institucional e exposição à variabilidade climática. A tese adota um desenho de pesquisa integrado composto por três estudos complementares. Primeiro, uma análise bibliométrica e semântica, aprimorada por aprendizado de máquina, mapeia a estrutura epistêmica da pesquisa sobre resiliência em sistemas elétricos, revelando a coexistência de regimes epistêmicos fracamente conectados que enquadram a resiliência de maneiras fundamentalmente distintas. Segundo, uma análise histórica examina a evolução de longo prazo da indústria elétrica brasileira, mostrando como escolhas infraestruturais, arranjos de governança e a dependência da energia hidrelétrica produziram trajetórias de resiliência dependentes de trajetória, orientadas à estabilidade e continuidade do sistema. Terceiro, um estudo qualitativo baseado em entrevistas analisa como a resiliência é percebida e operacionalizada por atores-chave do setor, destacando a predominância de práticas orientadas à conformidade, coordenação de curto prazo e respostas reativas a riscos relacionados ao clima. Ao longo dos três estudos, a tese demonstra que a resiliência na indústria elétrica brasileira tem sido predominantemente estabilizada em torno de lógicas de controle, coordenação e confiabilidade operacional. Embora essas lógicas tenham sustentado a continuidade do sistema, elas também restringiram o aprendizado antecipatório, a integração entre escalas e respostas transformadoras às dinâmicas ecológicas de evolução lenta associadas às mudanças climáticas. Os achados mostram que a resiliência opera não apenas como uma capacidade técnica ou organizacional, mas como um processo historicamente e institucionalmente enraizado, moldado por enquadramentos epistêmicos dominantes e práticas de governança. Ao integrar contribuições da gestão de cadeias de suprimentos, dos sistemas socioecológicos e da governança energética, esta tese avança a teoria da resiliência ao conceituá-la como um fenômeno multinível e ambivalente, capaz de simultaneamente permitir estabilidade e limitar a transformação. Metodologicamente, demonstra o valor de combinar análise bibliométrica, investigação histórica e pesquisa qualitativa para o estudo de sistemas de infraestrutura complexos. Empiricamente, a tese oferece insights sobre os desafios de governar a resiliência em sistemas elétricos altamente regulados e dependentes da natureza, sob condições de intensificação das mudanças climáticas.

Ficha do documento

Tipo
Tese
Ano
2026
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Inglês
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/38639

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