Financiabilidade das parcerias público-privadas de iluminação pública no Brasilo papel da Caixa Econômica Federal na estruturação institucional e financeira do setor entre 2014 e 2025
Santos, Evelin Alves dos
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Resumo
Entre 2014 e 2025, o Brasil firmou 137 contratos de Parcerias Público-Privadas (PPPs) de iluminação pública, abrangendo 164 municípios e mais de 55 milhões de habitantes. Esta pesquisa analisa como a atuação da Caixa Econômica Federal (CAIXA) influenciou a financiabilidade dessas concessões, entendida como a capacidade de atrair operadores privados e captar financiamento de longo prazo. Adotou-se uma abordagem quantitativa-descritiva com base primária construída a partir de dados da ABCIP, do Radar PPP, da CAIXA, da ANBIMA, do Tesouro Nacional e do IBGE, entre outras fontes setoriais. Os resultados mostram que a CAIXA, por meio do Fundo de Estruturação de Projetos (FEP), consolidou-se como principal agente federal de estruturação do setor. Sua atuação contribuiu para corrigir falhas de mercado ao reduzir assimetrias de informação, estabelecer padrões contratuais e ampliar o acesso ao modelo de PPP para municípios de médio porte. Em relação ao financiamento de longo prazo, a contribuição da CAIXA foi indireta. A Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP) é condição necessária para a sustentabilidade econômico-financeira das concessões, mas insuficiente para viabilizar o acesso ao financiamento de longo prazo. O principal determinante do crédito não é a qualidade dos recebíveis da concessão, mas sim a solidez financeira dos grupos econômicos que controlam os projetos. No plano tecnológico, a telegestão consolidou-se como padrão dominante, enquanto soluções de conectividade, videomonitoramento e geração distribuída permanecem concentradas em projetos de maior escala. A consolidação das PPPs de iluminação pública como plataforma para serviços de cidades inteligentes dependerá do aperfeiçoamento regulatório e da incorporação do escopo integrado à modelagem dos projetos. Conclui-se que a influência da CAIXA sobre a financiabilidade foi determinante na dimensão competitiva, corrigindo falhas de mercado e padronizando instrumentos, e indireta na dimensão do financiamento de longo prazo, na qual persiste uma falha de eficiência alocativa. Democratizar o acesso ao modelo é, antes de tudo, uma agenda de financiamento estruturado.
Ficha do documento
- Tipo
- Dissertação
- Ano
- 2026
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Não informado
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/41066
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