Ensino para o imaginar no antropocenouma abordagem pedagógica ancorada no imaginário radical
Carreira, Fernanda Cassab
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Resumo
Por décadas, diversos campos das ciências naturais debatem sobre esse novo tempo – Antropoceno - em que a interferência humana na Terra adquiriu tamanha força que foi capaz de alterar significativamente os sistemas terrestres, com consequências para todas as espécies que coabitam conosco o planeta. O Antropoceno nos coloca diante de algo até agora inimaginável, que põe em xeque o paradigma dominante originado no Iluminismo, de que a realidade está ancorada na razão e na racionalidade, no utilitarismo, no pensamento (tecno)cientificista - as bases da modernidade, do capitalismo e do ensino de gestão (EG). Ao mesmo tempo, ele traz a necessidade de imaginarmos outras formas humanas de organizar e viver para lidarmos com o imprevisível e o ingerenciável. Para isso, precisaremos de pessoas capazes de imaginar e de um ensino comprometido com a criação de novos imaginários e futuros possíveis. Na contramão, o EG, que desde sua gênese ancora-se no racionalismo científico, instrumental, utilitarista e está voltado a servir e reproduzir o capitalismo, dá pouco espaço e legitimidade à imaginação, contribuindo para o agravamento da crise ecológica. Diante disso, apresento uma proposta de um Ensino para o Imaginar no Antropoceno, que emerge da experimentação pedagógica conduzida, durante dezoito meses, em três turmas de uma disciplina de sustentabilidade de uma escola de negócios brasileira. Ancorada na concepção de imaginário radical de Cornelius Castoriadis, a abordagem pedagógica realizada por meio da metodologia Design-Based Research apresenta como componentes pedagógicos as linguagens e os disparadores de imaginários, mostrando ser uma resposta promissora para o (re)ligar da subjetividade, da nossa potência criadora humana, capaz de criar o capitalismo e uma saída a ele. A abordagem propõe sete Princípios de Design que, entrelaçados, fazem a ponte entre teoria e prática, e materializam a compreensão de que um Ensino para o Imaginar no Antropoceno deve (i) cultivar o imaginário radical a partir da inseparabilidade da psique e do sócio-histórico; (ii) ter intencionalidade e, por isso, propor uma imaginação política que nos leve contestar e ressignificar o que está instituído; (iii) promover a autonomia de alunos e docentes ao mesmo tempo em que se mantém aberto, instituinte. Este trabalho é, antes de tudo, um convite à imaginação, à criação de imaginários sociais e a um esperançar em face ao inimaginável Antropoceno.
Ficha do documento
- Tipo
- Tese
- Ano
- 2024
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/35230
- Palavras-chave
- Design-based researchAnthropoceneManagement educationEducation for the imaginaryImaginariesAntropocenoEnsino de gestãoEnsino para o imaginarImagináriosAdministração de empresasPlanejamento experimentalPesquisa socialHomem - Influência sobre a naturezaGestão de empresas - Estudo e ensino
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