Da cidadania plena à morte políticaperspectivas críticas sobre a suspensão do direito ao voto de pessoas com condenação criminal no Brasil
Reis, Vinicius Cardoso
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Resumo
Partindo da condenação criminal como justificativa para a suspensão geral e automática dos direitos políticos no Brasil, o presente trabalho busca estudar o fenômeno da morte política, oferecendo análises sobre suas consequências e caminhos de transformação. No caso da população condenada criminalmente, a privação do sufrágio exerce um duplo efeito: é uma medida de gestão do voto e, ao mesmo tempo, uma punição adicional. Como gestão do voto, essa prática regula o acesso à participação democrática e limita a representação, afastando a possibilidade de uma cidadania plena. Combatê-la permitiria tornar as eleições mais amplas e igualitárias, promovendo um processo de democratização. Como punição adicional, a morte política reflete a seletividade penal, afetando majoritariamente uma minoria negra e pobre, o que forma uma coletividade de cidadãos de segunda classe. Ademais, esses indivíduos sofrem os efeitos disciplinadores e humilhantes de sua exclusão, em um processo que destrói sua subjetividade e lhes impõe uma cerimônia degradante no espaço democrático. Pelos efeitos da morte política sobre a democracia e a sociedade, buscou-se estabelecer comparações entre o Brasil, outras nações e órgãos internacionais. A partir disso, foram identificadas duas saídas possíveis para alterar a relação condenação-voto no país: a judicial e a política. Como solução, propõe-se uma combinação de ambas, em uma estratégia que une litigância e mobilização política.
Ficha do documento
- Tipo
- Outro
- Ano
- 2017
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Não informado
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/24131
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