Vivências empreendedorasantes, durante e depois de ter um negócio
Andrade, Roberto Carneiro Lacerda Borges de
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Resumo
O empreendedorismo tem crescido em quantidade e importância, como uma atividade da população economicamente ativa (PEA) brasileira. O percentual da PEA envolvido em alguma atividade empreendedora cresceu de 20,9% em 2002 para 39,3% em 2015. Esse crescimento ocorre também na dimensão subjetiva dos brasileiros. Ter seu próprio negócio” é apontado como o terceiro maior sonho da população adulta. Essa taxa de empreendedorismo é acompanhada por altas taxas de falência empresarial. A falência, no entanto, não impede as empresas de continuarem sendo abertas. O presente trabalho é um estudo qualitativo exploratório, no qual foi utilizada como metodologia o estudo qualitativo básico. Foram feitas entrevistas semi-estruturadas com nove homens e oito mulheres, de perfil diversificado. As altas taxas de abertura e falência de empresas, mostram a importância da atual pesquisa cujo objetivo é investigar como os empreendedores vivenciam a experiência de abrir, manter e sair ou fechar uma empresa. Foi encontrado que a decisão de abrir um negócio foi influenciada de forma mais decisiva pela vontade de empreender em comparação à uma oportunidade mercadológica clara. Os empreendedores experimentaram uma extensa jornada de trabalho e uma tensão permanente, de modo que, nas palavras deles, ficavam “ligados vinte e quatro horas” no negócio. As relações pessoais e familiares ficaram prejudicadas por essa dedicação e tensão vividas. Mesmo sem dar lucro e com tantos sofrimentos, muitos empreendedores se mantiveram empreendendo por anos. A razão que os mantinha empreendendo era o ânimo e a crença no futuro, que provinha inicialmente do reconhecimento recebido pelo trabalho, pela empresa, pelo produto. De maneira análoga, a decisão de fechar a empresa, se deu pela descrença no futuro do negócio, devido à repetição dos problemas vividos, financeiros ou não. Nota-se que o sonho que sustentou o empreendimento é uma fantasia expansionista e de onipotência individual, algo que por si só gera prazer. O desconhecimento inicial do setor e a negligencia do planejamento antes da abertura se mostraram ligadas à essa recompensa psicológica da fantasia. Não é só de sonho que vive o empreendedor. O maior sofrimento vivido pelos empreendedores foi devido à falta de retorno financeiro. No mais, a avaliação geral de ter tido um negócio foi positiva e após saírem de seus negócios foi frequente a volta para o empreendedorismo ou para atividades na academia e de consultoria, mantendo a flexibilidade de horário e uma relativa independência, de modo que poucos voltaram a ter uma carreira corporativa novamente.
Ficha do documento
- Tipo
- Dissertação
- Ano
- 2017
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Não informado
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/18104
- Palavras-chave
- EntrepreunershipEntrepreunership experiencesEntrepreunership motivationsBusiness bankruptcyEntrepreunership careerEmpreendedorismoVivências empreendedorasMotivações empreendedorasMortalidade de empresasCarreira empreendedoraAdministração de empresasPlanejamento empresarialEmpresas novasSucesso nos negócios
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