Uma Avaliação dos ganhos dinâmicos do Mercosul usando equilíbrio geral
Cavalcante, Jorge; Mercenier, Jean
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Resumo
Avaliamos os efeitos de bem-estar do Mercosul usando um modelo calculável de equilíbrio geral
 intertemporal, multissetorial e multipaís com comércio e produção, rendimentos crescentes de escala internos à firma, concorrência imperfeita e diferenciação do produto em nível de produtor individual. O ano-base da simulação é 1992, para o qual foram disponibilizadas informações setoriais da estrutura da economia como as matrizes insumo-produto, bem como os fluxos de comércio bilaterais. Essas informações estatísticas serviram para calibrar o modelo para o ano-base. A seguir, tomando-se como pressuposto o fato de o ano de 1992 (pré-Mercosul) ser o equilíbrio inicial, introduzimos uma perturbação nesse equilíbrio que vem a ser justamente a nova estrutura tarifária em vigor a partir de 1995. Como essa estrutura era diferente da anterior, o modelo que inicialmente havia sido calibrado para 1992 não mais estava em equilíbrio e, por essa razão, o modelo aqui apresentado irá propor uma nova solução a partir de um algoritmo que tem os principais efeitos acima mencionados. A estrutura de produção de cada país é descrita e o novo equilíbrio nos permitirá então avaliar os ganhos de bem-estar associados ao novo padrão tarifário imposto pelo Mercosul. Os resultados aqui obtidos mostram que o ganhador potencial dessa integração é o Uruguai, com o Brasil tendo um ganho modesto e eventualmente nulo, e a Argentina sendo, entre os países analisados, o que apresenta os piores resultados. Esse resultado reflete o fato de que os diferentes países se encontravam em estágios de desenvolvimento industriais diferenciados, bem como com estruturas tarifárias distintas. Foram justamente essas diferenças que balizaram os ganhos/perdas associados ao processo de integração no Mercosul. Assim, o Brasil que possui uma estrutura industrial mais privilegiada que o Uruguai e a Argentina tem ganhos potenciais menores, pois se beneficia pouco dessa integração no que diz respeito a completar a sua estrutura de oferta de bens, ainda que se possa beneficiar de um incremento nas trocas na região. Já a Argentina era o país que se encontrava em fase mais adiantada de abertura comercial e por isso os possíveis ganhos são ainda menores. O Uruguai, ao mostrar uma estrutura industrial menos diversificada, apresenta os maiores ganhos da integração.
Ficha do documento
- Tipo
- Artigo científico
- Ano
- 1999
- Instituição
- Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
- Fonte
- Repositório do Ipea
- Idioma
- Português
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.ipea.gov.br:11058/4605
- Licença
- Licença Comum
- Abrangência
- Mercosul; 1992
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