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Transferências e incentivos

Mauricio Cortez Reis; Camargo, José Márcio

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Resumo

Discute como diferentes modalidades de transferência de renda no Brasil influenciam desigualdade, oferta de trabalho, desemprego e decisões educacionais dos membros das famílias beneficiadas. Embora programas como aposentadorias, pensões, BPC e Bolsa Família tenham desempenhado papel decisivo na queda da desigualdade entre 2001 e 2005, os autores mostram que seus efeitos sobre incentivos individuais não são neutros. Evidências empíricas indicam que benefícios previdenciários e o BPC elevam o salário de reserva dos trabalhadores adultos, o que tende a reduzir a taxa de participação e aumentar o desemprego, especialmente entre indivíduos com baixa escolaridade. Esses programas também afetam o comportamento de jovens: quando convivem com beneficiários diretos, tendem a apresentar maior probabilidade de apenas estudar, mas também maior risco de não estudar nem trabalhar, dependendo da composição familiar e das preferências individuais por lazer. Entre 2001 e 2005, houve expansão relevante desses programas, com cobertura maior e benefícios mais altos, reforçando tanto seus efeitos distributivos quanto seus impactos comportamentais. O capítulo conclui que políticas não condicionadas podem reduzir participação e afetar decisões de investimento em capital humano, enquanto programas condicionados — como o Bolsa Família — geram incentivos mais alinhados ao desenvolvimento futuro, promovendo escolarização e reduzindo desigualdade de longo prazo.

Ficha do documento

Tipo
Livro
Ano
2007
Instituição
Ipea
Idioma
Português
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.ipea.gov.br:11058/20048
Licença
Licença Comum
Abrangência
Brasil

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