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Estudo

Tipologia socioeconômica das famílias das grandes regiões urbanas brasileiras e seu perfil de gastos

Silveira, Fernando Gaiger; Bertasso, Beatriz; Magalhães, Luís Carlos Garcia de

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Resumo

A elaboração de uma tipologia socioeconômica das famílias metropolitanas brasileiras e a análise dos perfis de gastos e de recebimento desses grupos familiares são os principais resultados do presente trabalho. Para tanto, valeu-se da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) de 1995-1996 realizada pelo IBGE, que abrangeu os onze principais centros urbanos do país, representando, na época, 29,5% da população nacional. Utilizou-se a família como unidade de investigação, uma vez que são as famílias o locus de decisão quanto ao consumo, sendo este definido em razão das características sociais, econômicas e demográficas da família. Assim, selecionaram-se 24 variáveis que, grosso modo, retratam o nível de renda da família, as características da pessoa de referência, a qualidade do domicílio, o tamanho e a composição da família e a importância dos gastos alimentares. Aplicou-se a esse conjunto de variáveis o método de análise fatorial/componentes principais, chegando-se a cinco componentes, os quais respondem por 58,6% da variância total das variáveis. Cada um desses fatores/ componentes sintetiza um aspecto socioeconômico e demográfico das famílias, tendo sido assim designados: riqueza, tamanho das famílias, idade do “chefe” e da família, dependência e padrão alimentar. Em um segundo momento, aplicou-se o método de classificação – cluster analysis – aos valores dos cinco fatores, identificando-se, então, dez grupos familiares – grupos estes distintos uns dos outros e representativos das famílias metropolitanas brasileiras. Verificou-se a presença de perfis de gastos e de recebimento bem definidos, tendo em conta as características de cada um dos grupos. Conforme o esperado, os grupos familiares pobres apresentam elevada participação dos gastos com alimentos básicos, transporte urbano, remédios e fumo, enquanto nos grupos de maior renda, destacam-se os gastos com habitação, serviços públicos, planos de saúde e, quando contam com significativa presença de crianças e adolescentes, com educação. Por outro lado, nos grupos familiares em que há uma maior presença de idosos, destacam-se os gastos com a saúde e com a alimentação no domicílio. No que concerne ao recebimento, prevalecem, nos grupos pobres, os rendimentos oriundos do trabalho de empregado e do de conta-própria, enquanto nos grupos de maior renda, os rendimentos de empregador e provenientes de aplicações financeiras encontram-se bem acima da média dos grupos. Quanto às transferências, especialmente, as aposentadorias se destacam nos grupos familiares com “chefes” idosos. Assim, cabe destacar que, além da renda, o tamanho da família, a sua composição etária e a idade do “chefe” são extremamente importantes na definição do padrão de consumo das famílias.

Ficha do documento

Tipo
Estudo
Ano
2003
Instituição
Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea)
Idioma
Português
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.ipea.gov.br:11058/2940
Licença
Licença Comum
Abrangência
Regiões metropolitanas brasileiras; 1995-1996

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