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Tese

Resistance to diversity, equity and inclusionan exploratory study with Brazilian professionals

Araujo, Carolina Gomes de

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Resumo

Iniciativas organizacionais de diversidade frequentemente encontram resistência que desacelera, redireciona ou enfraquece seus efeitos. O debate acadêmico explica a resistência à diversidade, equidade e inclusão (DEI) por meio de atitudes individuais ou da falta de comprometimento da liderança. No entanto, a maior parte das pesquisas continua a dedicar atenção limitada à resistência à DEI como um fenômeno multinível e dinâmico nas organizações. A tese aborda essa lacuna ao analisar como a resistência à DEI se configura em diferentes contextos, circula por meio das relações e oscila ao longo do tempo, com três objetivos interconectados: (1) identificar as condições organizacionais e societais que possibilitam a resistência a iniciativas de DEI; (2) examinar como a resistência à DEI é expressa em interações e decisões organizacionais; e (3) rastrear oscilações temporais em seus significados e manifestações nas organizações. Ancorado em uma epistemologia pragmatista e na análise temática reflexiva, este estudo baseia-se em 55 entrevistas em profundidade com indivíduos que trabalham com ou em torno de iniciativas de diversidade no Brasil, país caracterizado por alta diversidade demográfica e desigualdade persistente. A análise aborda os relatos dos participantes e a interpretação da pesquisadora como processos de construção conjunta de sentido sobre a resistência e suas implicações nas organizações. Os resultados são organizados em três temas interrelacionados: contextual, relacional e mutacional. O tema contextual explica como a resistência é estruturada em ambientes sociais e organizacionais mais amplos, nos quais debates públicos polarizados, narrativas sobre meritocracia, legados históricos e prioridades de negócios influenciam as respostas às iniciativas de diversidade. Dentro dessa camada contextual, a polarização política emergiu como um enquadramento interpretativo recorrente por meio do qual a DEI foi compreendida como legítima, arriscada, ideológica ou estrategicamente evitável. O tema relacional destaca como a resistência circula por meio de papéis, relações, identidades e hierarquias, com ênfase nos níveis de liderança, nas redes informais e nos padrões de voz e silêncio. Um padrão recorrente nessa camada relacional refere-se aos gerentes intermediários como uma interface prática entre compromissos formais e a implementação cotidiana, na qual a discricionariedade sobre ritmo, escopo e visibilidade moldou a forma como a resistência se tornou consequente. O tema mutacional rastreia como a resistência oscila ao longo do tempo entre a oposição explícita e formas sutis, como a conformidade simbólica, o ,, 12 estreitamento da linguagem da diversidade e ciclos de priorização institucional e interrupção. Ao longo dos temas, a tese mapeia formas de resistência segundo a visibilidade e a intencionalidade e mostra como a resistência pode se tornar capilar por meio de rotinas, interpretações locais e padrões recorrentes de implementação. Conceitualmente, a tese retrata a resistência como um fenômeno multinível e apresenta uma arquitetura integrativa que conecta condições contextuais, dinâmicas relacionais e oscilações temporais como dimensões interdependentes da resistência à DEI. Empiricamente, fornece um relato baseado no Brasil que oferece uma forma de interpretar pressupostos prevalentes na produção acadêmica do Norte Global e que pode ressoar em outros contextos marcados por agendas de diversidade contestadas. Metodologicamente, ilustra como uma abordagem pragmatista e reflexiva pode conectar os relatos de profissionais a debates teóricos mais amplos, mantendo a atenção na aplicabilidade prática. Em síntese, a tese conceitualiza a resistência à DEI como uma das formas pelas quais as organizações negociam tensões, protegem arranjos estabelecidos e regulam o ritmo e a direção da mudança. A pesquisa abre caminho para estudos futuros examinarem iniciativas de diversidade e resistência como processos evolutivos, multiníveis e interdependentes que co-moldam a mudança organizacional ao longo do tempo.

Ficha do documento

Tipo
Tese
Ano
2026
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Inglês
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/38522

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