Orchestration in blockchain decentralised ecosystemsa capability-based perspective
Castro, Henrique Ribeiro
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Resumo
A literatura sobre ecossistemas costuma explicar a orquestração a partir do controle arquitetural exercido pelos proprietários de plataformas. O surgimento de infraestruturas blockchain descentralizadas, no entanto, desafia esse pressuposto. Nesses ambientes, a governança é distribuída e nenhuma empresa detém controle sobre a arquitetura do protocolo. Ainda assim, persistem assimetrias de coordenação. Atores como as corretoras de criptomoedas exercem influência sobre a liquidez, a alocação de capital e o desenvolvimento tecnológico, mesmo sem possuir autoridade formal sobre a governança dos protocolos. Surge, portanto, uma questão central: como a orquestração de ecossistemas emerge em contextos descentralizados? Esta tese reconceitualiza a orquestração em ecossistemas descentralizados ao propor um mecanismo baseado em capacidades. Nesse mecanismo, capacidades de inovação em blockchain são acumuladas pelas empresas e, ao longo do tempo, se externalizam em posições de imersão estrutural nas redes do ecossistema, permitindo a coordenação entre atores mesmo na ausência de autoridade arquitetural. O estudo analisa 97 corretoras de criptomoedas no período entre 2010 e 2025 por meio de um desenho longitudinal e multimétodos. A análise combina testes estatísticos paramétricos e não paramétricos, modelos com dados em painel e análise configuracional (fsQCA). A base de dados reúne 14.332 rodadas de financiamento por venture capital, 3.542 eventos de ICO, registros de atividade de desenvolvimento em código aberto, indicadores de governança e dados históricos de ecossistemas. As trajetórias das empresas foram reconstruídas a partir de extensas fontes secundárias, registros do Internet Archive (Wayback Machine) e entrevistas confirmatórias com especialistas e participantes do ecossistema. A partir dessa abordagem qualitativa, também foi desenvolvida uma matriz de maturidade de capacidades de inovação em blockchain. Os resultados mostram que combinações integradas de capacidades estão associadas a maiores níveis de imersão estrutural e que corretoras mais capazes exercem influência sobre o financiamento de projetos, os retornos de longo prazo e a formação de ecossistemas de plataformas blockchain. A principal contribuição da tese para a teoria dos ecossistemas é demonstrar que, em ambientes descentralizados, a orquestração não deriva do controle arquitetural, mas da acumulação de capacidades que se externalizam em posições estruturais relevantes dentro das redes do ecossistema.
Ficha do documento
- Tipo
- Tese
- Ano
- 2026
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Inglês
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/38625
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