O papel regulatório do Estado na moderação de conteúdo exercida pelas plataformas de redes sociais
Couto, Natalia de Macedo
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Resumo
Em uma sociedade cada vez mais digitalizada, as plataformas digitais de redes sociais desempenham cada vez mais um papel central na economia e democracia, com poder de influência sobre qual, como e quando uma informação é acessada por um determinado usuário. Para manter o ambiente digital atrativo para o desempenho de seu modelo de negócio, as plataformas de redes sociais precisam de um espaço saudável, livre de discursos prejudiciais (discurso de ódio, desinformação, etc.) e personalizado. Para isso, elas moderam o conteúdo postado pelos usuários e gerenciam o fluxo informacional através de seus sistemas de recomendação. Essa atividade chama atenção para um procedimento sem transparência e justificação, com decisões que afetam direitos fundamentais dos indivíduos, como, por exemplo, àqueles referentes à liberdade de expressão, à privacidade e proteção de dados e ao devido processo. As redes sociais, hoje, regulam o espaço digital privado sozinhas, de acordo com seus termos de uso e a arquitetura de seus sistemas de algoritmos, o que, por consequência, gera críticas de legitimidade nessa governança. Considerando que as plataformas são entidades privadas e no desempenho de suas atividades podem violar os direitos fundamentais, produzir externalidades e assimetria informacional, estão presentes justificativas técnicas para sua regulação pelo Estado. No entanto, essa regulação, conforme defendido neste trabalho, não deve ser baseada em um arranjo de comendo e controle, vez que a presença dos atores que serão afetados pela regulação é importante para que a regulação possa ser mais eficiente. A complexidade da sociedade e evolução dos arranjos institucionais norteiam para a realização de uma regulação mais responsiva, baseada na regulação dos procedimentos abordados na operação da atividade das redes sociais e que considere os múltiplos atores envolvidos. A hipótese deste trabalho é, portanto, que o Estado, através do Poder Executivo, possui um papel a desempenhar na regulação das plataformas de redes sociais. Dentro de um arranjo de corregulação, as normas regulatórias podem trazer exigência de participação, transparência e responsabilidade, sem deixar de aproveitar a expertise dos regulados. Quanto ao instrumento regulatório, esse trabalho defende que o mais adequado seria uma Agência Reguladora, seja através da criação de uma nova agência ou por meio de uma já existente.
Ficha do documento
- Tipo
- Dissertação
- Ano
- 2022
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/33008
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