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Dissertação

O impacto do uso da inteligência artificial generativa no processo de tomada de decisões do sistema de justiçapercepções e proposição de um modelo teórico-metodológico

Lima, Lea Farias Veicer

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Resumo

A transformação digital e a crescente incorporação das tecnologias de IA nos processos decisórios no setor público instigaram esta dissertação no formato multipaper, que investiga o impacto do uso de ferramentas de inteligência artificial generativa (GenAI) na tomada de decisões de gestores públicos do sistema de Justiça, à luz da economia comportamental. A presente pesquisa é composta por dois artigos científicos sequenciais, apresentados como os capítulos centrais deste trabalho. O primeiro analisa as percepções de gestores de organizações do sistema de Justiça do DF e da União acerca da utilização de ferramentas de GenAI no processo decisório, com uma abordagem qualitativa, na qual foram coletados dados em 21 entrevistas semiestruturadas, submetidos à análise de conteúdo. Os resultados revelaram predisposição ao uso dessas ferramentas, especialmente em razão dos ganhos de eficiência, produtividade e qualidade dos serviços. Constatou-se, contudo, preocupação com riscos relacionados à racionalidade falseada, vieses algorítmicos, questões éticas, falta de transparência e alucinações. O estudo possui limitações territoriais. O segundo teve por objetivo desenvolver um instrumento teórico-metodológico para mensurar a aceitabilidade do uso de GenAI por burocratas do sistema de Justiça, apresentando indícios de validade psicométrica. A partir dos dados qualitativos do primeiro estudo, foram elaborados itens de uma escala do tipo Likert, posteriormente submetidos à validação teórica e semântica por especialistas e à validação empírica junto a 220 respondentes, resultando em uma amostra final de 170 questionários válidos. Os dados foram analisados por meio de Análise Fatorial Exploratória, utilizando o software JASP. Os resultados indicaram a existência de dois construtos centrais para a aceitabilidade da GenAI: confiança e utilidade. A dimensão confiança associa-se às percepções de transparência, ética e mitigação de vieses, sendo interpretada à luz das teorias da racionalidade de Kahneman (2011), e do conceito de “rendição cognitiva” proposto por Shaw e Nave (2026). A dimensão utilidade relaciona-se à percepção de benefícios práticos, facilidade de uso e melhoria do desempenho, em consonância com os modelos de aceitação tecnológica TAM e UTAUT, formulados por Davis (1989) e Venkatesh et al (2003), respectivamente. Recomenda-se novos testes com amostras maiores para assegurar a estabilidade estrutural estatística do modelo, invariância métrica e escalar, bem como a consistência temporal. Em conjunto, os estudos demonstram que gestores do sistema de Justiça tendem a aceitar o uso de ferramentas de GenAI, em razão da utilidade e confiança, que constituem fatores latentes interdependentes na aceitação da GenAI, oferecendo um modelo de mensuração capaz de subsidiar o desenvolvimento de políticas públicas judiciárias voltadas à governança algorítmica, com o aprimoramento da prestação jurisdicional.

Ficha do documento

Tipo
Dissertação
Ano
2026
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Acesso restrito
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/39962

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