O celular e o superendividamento das famílias brasileiras
Barreto, Flávio Ataliba; Avelino, Pedro; França, João Mário Santos de
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Resumo
Em março de 2026, 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas, recorde histórico da série, e 24% declararam priorizar o pagamento do cartão de crédito acima do próprio aluguel. Esses dois números resumem uma transformação profunda que este artigo se propõe a analisar. O endividamento das famílias brasileiras está mudando de natureza, pois além dos fatores estruturais tradicionais, como juros elevados e renda insuficiente, emerge uma nova dimensão: a arquitetura digital do crédito e do consumo. O celular tornou-se simultaneamente banco, crediário e cassino, eliminando fricções psicológicas e explorando vieses cognitivos que tornam o endividamento mais rápido e mais invisível. A educação financeira, embora necessária, é insuficiente como resposta isolada. O problema exige regulação do design do crédito digital, proteção específica para os grupos mais vulneráveis e um debate sério sobre o papel das apostas online na fragilização do orçamento familiar.
Ficha do documento
- Tipo
- Artigo científico
- Ano
- 2026
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/41491
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