Essays on trade policy
Ogeda, Pedro Molina
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Resumo
Esta tese é composta por três capítulos independentes. O primeiro capítulo demonstra que a liberalização comercial brasileira no início dos anos 1990 levou a uma queda relativa permanente na parcela de votos dos candidatos presidenciais de esquerda nas regiões mais afetadas pelos cortes tarifários. Isso ocorreu mesmo que o choque, implementado por um partido de direita, tenha induzido uma contração na manufatura e no emprego formal nas regiões mais afetadas, e apesar da identificação da esquerda com políticas protecionistas. Para racionalizar essa resposta, consideramos um novo canal institucional para os efeitos políticos dos choques comerciais: o enfraquecimento dos sindicatos trabalhistas. Apresentamos apoio a esse mecanismo em dois passos. Primeiro, mostramos que a presença sindical - representada pela quantidade de trabalhadores diretamente empregados por sindicatos, pela densidade sindical e pelo número de estabelecimentos sindicais - diminuiu em regiões que se tornaram mais expostas à competição estrangeira. Em segundo lugar, mostramos que o efeito negativo das reduções tarifárias nos votos para a esquerda foi impulsionado exclusivamente por partidos políticos com vínculos históricos com os sindicatos. Além disso, o impacto da liberalização comercial na parcela de votos desses partidos foi significativo apenas em regiões que tinham sindicatos operando antes da reforma. Essas descobertas são consistentes com a hipótese de que os cortes tarifários reduziram a parcela de votos da esquerda em parte através do enfraquecimento dos sindicatos trabalhistas. Este canal institucional é fundamentalmente diferente das respostas em nível individual, motivadas por preocupações econômicas ou de identidade, que foram consideradas na literatura. O segundo capítulo examina os efeitos indiretos da guerra comercial EUA-China no mercado de trabalho brasileiro. Exploramos os aumentos tarifários em diferentes setores industriais e a distribuição setorial do emprego nos mercados de trabalho locais brasileiros para medir o grau de exposição de uma região brasileira à guerra comercial. Nossas descobertas revelam que, enquanto as tarifas discriminatórias americanas não impactaram significativamente os mercados de trabalho locais brasileiros, as regiões mais expostas às tarifas retaliatórias chinesas experimentaram um aumento relativo no número de trabalhadores formais e na folha de pagamento. Além disso, descobrimos que indústrias mais expostas às tarifas chinesas experimentaram um aumento nas exportações líquidas. Em contraste, as indústrias expostas às tarifas americanas experimentaram uma redução relativa nas exportações líquidas. Essas percepções contribuem para uma melhor compreensão das complexas implicações mundiais da guerra comercial EUA-China. O último capítulo examina os impactos do Mercosul nos mercados de trabalho locais brasileiros. Nossa análise revela que as oportunidades de exportação crescentes devido às reduções tarifárias preferenciais implementadas pela Argentina, Paraguai e Uruguai levaram a um aumento no número de trabalhadores formais nas regiões mais expostas do Brasil em comparação com as menos expostas. Curiosamente, também descobrimos que as tarifas preferenciais do Brasil em seus parceiros do Mercosul aumentaram relativamente os prêmios salariais em regiões mais afetadas. Além disso, dado que a liberalização comercial unilateral do Brasil coincidiu com o estabelecimento do Mercosul, investigamos também se as descobertas da literatura existente sobre os efeitos negativos da liberalização unilateral brasileira nos mercados de trabalho se mantêm quando se consideram as reduções tarifárias do Mercosul. Nossas descobertas indicam que o impacto é ainda mais pronunciado ao se considerar o Mercosul.
Ficha do documento
- Tipo
- Dissertação
- Ano
- 2024
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Inglês
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/35327
- Palavras-chave
- Trade shocksElectionsUnionsLocal labor marketsTrade warFree trade agreementsBrazilMercosurChoques comerciaisEleiçõesSindicatosMercados de trabalho locaisGuerra comercialAcordos de livre comércioMercosulBrasilEconomiaPolítica comercialComércio internacionalRelações econômicas internacionaisMERCOSUL (Organização)Mercado de trabalho - Brasil
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