Determinants of ESG (Environment, Social and Governance) and CFP (Corporate Financial Performance) for Brazilian public companies
Barroso, João Luis Tenreiro
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Resumo
Os organismos multilaterais e a sociedade em geral exigem cada vez mais uma postura corporativa que maximize o retorno dos negócios, mas considerando aspectos ambientais, sociais e de governança. O que ficou conhecido como ESG (Environmental, Social and Governance) está se tornando altamente relevante na literatura acadêmica e no mundo corporativo. Apesar do amplo apoio a esse tipo de prática, ainda não há consenso quanto às consequências que ela traz para o desempenho financeiro das empresas (CFP). O objetivo desta tese é analisar a associação dos escores de desempenho ESG com as características das companhias abertas brasileiras, bem como avaliar se há correlação desses escores com diferentes medidas de Desempenho Financeiro Corporativo. Este trabalho visa contribuir para o debate da sustentabilidade e analisar evidências que possam enriquecer os ainda escassos estudos existentes nesse campo para países emergentes, especialmente no Brasil. Analisando as empresas de capital aberto que compõem o IBOVESPA de 2015 a 2022 e utilizando dados da Bloomberg e do Nefin (FEA-USP), estimou-se um modelo de regressão múltipla de efeitos fixos com dados em painel por meio de diferentes estratégias. As evidências mostram que os ESG Scores corporativos estão significativa e positivamente associados às características de algumas empresas, como tamanho, alavancagem e lucratividade. Esses achados podem ser interpretados como organizações mais visíveis socialmente, aquelas grandes, mais maduras e altamente lucrativas, estarem comprometidas com a sustentabilidade e sua divulgação. O endividamento pode ter relação com as cláusulas comumente exigidas de contratos bancários, chamadas de “covenants”, que os devedores devem cumprir. Esses achados são consistentes com a maioria dos estudos anteriores sobre o tema, com a Teoria dos Stakeholders e a Teoria da Legitimidade, que associam o desempenho corporativo sustentável e sua divulgação com empresas com maiores resultados financeiros. A associação negativa com a tangibilidade vem principalmente do pilar governança. Por outro lado, grandes empresas com margens EBITDA elevadas e ações líquidas têm um desempenho muito bom nessa dimensão de governança. Também encontramos uma associação positiva e estatisticamente significante do ESG Score corporativo com medidas de CFP, como o "excesso de retorno" das ações – usando modelos tradicionais e multifatoriais –, assumido o risco constante, o que pode revelar que o mercado de ações está valorizando os títulos de empresas sustentáveis. A correlação positiva do Retorno sobre Ativos (ROA) e do Retorno sobre o Capital Investido (ROI) com a pontuação do pilar ESG Social pode vir por meio do aumento da produtividade e das vantagens competitivas trazidas pelas políticas de recursos humanos, inovação de produtos e serviços e reputação. Esses resultados estão de acordo com a maioria dos encontrados na literatura, que revelam uma associação positiva entre o desempenho corporativo financeiro e não financeiro, confirmando a Teoria dos Stakeholders nesse universo. O q de Tobin, como grande parte de estudos anteriores, não tem associação estatística com o desempenho ESG em ambas as direções, pelo menos no curto prazo. Este trabalho traz conclusões que podem ser relevantes para executivos corporativos, investidores institucionais, gestores de ativos, captadores de recursos, pesquisadores e formuladores de políticas.
Ficha do documento
- Tipo
- Tese
- Ano
- 2024
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Inglês
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/35448
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