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Dissertação

Desafios e dificuldades regulatórias na gestão de Santas Casas à luz do entendimento do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo

Rodrigues, Isis Duarte

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Resumo

O estudo busca identificar os desafios à gestão das Irmandades de Santa Casa de Misericórdia do Estado de São Paulo no contexto da Nova Gestão Pública (NGP), do qual irrompem questões concernentes à disputa por financiamento, escassez de recursos públicos e exigências de maior transparência, accountability e comprometimento com as diretrizes setoriais. Com enfoque descritivo e predominantemente documental, a pesquisa baseou-se em arquivos disponibilizados nas páginas institucionais de órgãos públicos, nos portais da transparência e no repositório jurisprudencial do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE/SP). Após a recapitulação do histórico de implantação das Santas Casas no Brasil, traçou-se o atual perfil das entidades paulistas, de acordo com a distribuição territorial, eventuais intervenções administrativas, a área de especialização dos gestores, a disponibilidade das informações em atendimento às regras de transparência e a participação de recursos governamentais na composição das receitas. Além disso, foram analisados os principais fundamentos que impeliram o TCE/SP a decretar a irregularidade de ajustes e prestações de contas referentes aos repasses realizados pela Administração Pública às Irmandades bandeirantes, dos quais se destacam: deficiências na elaboração do plano de trabalho, mencionadas em 62,99% dos julgados; precária demonstração da aplicação dos recursos, presente em 97,67% das prestações de contas, atribuível à ausência ou incompletude de comprovantes fiscais ou, ainda, a possíveis desvios de finalidade em relação ao objeto da parceria; e falta de transparência, constatada em 27,78% dos casos. Com base nestes elementos, reconheceu-se a elevada dependência de financiamento público, com taxa média de 73,54%, enquanto as Irmandades que operam planos privados de assistência à saúde obtiveram o índice médio de 60,94%, indicando que a incorporação de fontes alternativas de investimentos contribui para a redução da dependência financeira de recursos públicos. A partir do estudo de casos múltiplos, verificou-se que as parcerias com outras organizações podem aprimorar a profissionalização das atividades administrativas e operacionais das Santas Casas e, em consequência, favorecer a diversificação das receitas, em alinhamento com os postulados das teorias da dependência de recursos, dos custos de transação e de redes organizacionais. Em paralelo com os modelos teóricos apresentados na revisão de literatura, considerou-se que os caminhos atualmente explorados pelas Irmandades se aproximam da criação de subsidiárias com fins lucrativos, da fusão parcialmente integrada e da implantação de escritórios conjuntos. Sem embargo, diante da distribuição territorial das organizações e do expressivo percentual de decisões que acena à necessidade de padronização dos protocolos de elaboração do plano de trabalho, propôs-se a avaliação da viabilidade de operações conjuntas de escritório administrativo e back office. À luz da teoria das forças institucionais, observou-se que, assim como a jurisprudência do TCE/SP, as entidades priorizam o atendimento de requisitos formais, em detrimento da qualidade dos serviços. Para contornar estes problemas, propôs-se o estímulo ao diálogo entre os gestores de entidades com diferentes perfis, por meio de encontros periódicos, e a inclusão de pauta dedicada às Santas Casas nos Ciclos de Debates promovidos pelo TCE/SP.

Ficha do documento

Tipo
Dissertação
Ano
2025
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/37145

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