Como a tutela jurídica ambiental afeta a concessão de crédito ao agronegócio
Oliveira, Tábata Boccanera Guerra de
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Resumo
O agronegócio é um dos setores mais importantes da economia brasileira e, para que seja devidamente fomentado, as instituições financeiras possuem papel central na concessão de crédito às suas atividades. Entretanto, constatam-se inseguranças jurídicas relacionadas aos riscos ambientais assumidos pelas instituições financeiras neste processo. A primeira insegurança jurídica que merece destaque diz respeito à falta de clareza na aplicação de alguns institutos do Código Florestal – legislação federal estritamente relacionada com as atividades desenvolvidas pelo agronegócio. Desde a sua entrada em vigor em 2012, referida legislação foi objeto de diversos questionamentos na esfera judicial, incluindo o debate acerca de sua constitucionalidade. A segunda insegurança jurídica a ser destacada ancora-se justamente na temática da responsabilização ambiental das instituições financeiras. Especialmente após julgamento do Recurso Especial nº 650728/SC, de relatoria do Ministro Herman Benjamin, o conceito de ‘poluidor indireto’ foi substancialmente ampliado, incluindo nesse rol aqueles que financiam ou se beneficiam economicamente de uma atividade que cause danos ambientais. Nesse sentido, os questionamentos a respeito da possibilidade de corresponsabilização das instituições financeiras por questões ambientais aumentaram, e muito se discute acerca do dever de diligência da instituição no âmbito da sua gestão de riscos para se evitar tal corresponsabilização. Diante deste cenário, o objetivo deste trabalho é entender como a tutela jurídica ambiental, a qual envolve referidas inseguranças, afeta a concessão de crédito ao agronegócio. Para tanto, foram realizadas entrevistas exploratórias e semiestruturadas com cinco bancos com o intuito de avaliar os principais desafios no âmbito da concessão de crédito e entender como tais desafios podem ser enfrentados, comparando-se tais dados com a revisão de literatura abordada e triangulando-se com a jurisprudência selecionada. Os resultados deste trabalho demonstram que a extensa regulação e as inseguranças jurídicas afetam muito a concessão de crédito, aumentando-se o custo de observância e o tempo da operação e da negociação dos contratos, o que, ao final, dificulta ou inviabiliza o acesso ao crédito. Como consequência, percebe-se que em muitos casos há preferência dos tomadores por créditos cujo processo de concessão é menos regulamentado e menos rigoroso, e o objetivo de proteção ambiental pretendido pela legislação acaba não sendo atingido, já que os bancos não terão a obrigação de verificar as condições ambientais no âmbito de tais operações.
Ficha do documento
- Tipo
- Dissertação
- Ano
- 2021
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/31704
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