Logo
Dissertação

Burnout na educação infantilum estudo de fatores psicossociais e organizacionais

Costa, João Carlos Alves da

O documento é disponibilizado pela fonte de origem, que mantém a versão integral e as condições de uso.

Resumo

A síndrome de burnout tem-se consolidado como um relevante problema de saúde mental no contexto educacional contemporâneo, incidindo de forma particularmente intensa entre educadores da Educação Infantil que atuam na rede pública de ensino. As transformações recentes na organização do trabalho docente, marcadas pela intensificação das demandas laborais, ampliação das responsabilidades pedagógicas e fragilização das condições organizacionais de suporte, têm contribuído para o aumento do sofrimento psíquico nessa categoria profissional. Diante desse cenário, esta dissertação teve como objetivo analisar os principais determinantes psicossociais e organizacionais associados ao surgimento da Síndrome de Burnout em educadores da Educação Infantil vinculados à rede pública municipal de São José do Rio Preto (SP). Trata-se de um estudo quantitativo, transversal, de natureza exploratória e descritiva. A população-alvo foi composta por professores da Educação Infantil atuantes na rede pública municipal. A amostragem adotou procedimento probabilístico, com estratificação por regiões administrativas do município e seleção de escolas com probabilidade proporcional ao tamanho, resultando na participação de docentes de 21 unidades escolares. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário digital autoaplicável, contendo instrumentos para caracterização sociodemográfica e ocupacional, avaliação de fatores psicossociais e organizacionais do trabalho e mensuração da Síndrome de Burnout por meio do Maslach Burnout Inventory – Educators Survey (MBI-ES). A análise dos dados incluiu estatísticas descritivas, testes de associação, correlações e modelos de regressão logística binária, adotando-se nível de significância de 5%. Os resultados evidenciaram elevada prevalência de exaustão emocional entre os educadores, acompanhada por níveis mais moderados de despersonalização e relativa preservação da realização profissional. Observou-se que fatores organizacionais, tais como fragilidades na qualidade de vida no trabalho, limitações nas possibilidades de crescimento profissional, insatisfação com segurança, compensação e supervisão, bem como restrições à autonomia e ao descanso, apresentaram associações significativas com níveis mais elevados de burnout. Os determinantes psicossociais individuais, embora relevantes, mostraram menor poder explicativo quando analisados conjuntamente com as variáveis organizacionais. A discussão dos achados indica que o burnout entre educadores da educação infantil não pode ser compreendido como resultado exclusivo de características individuais, mas como expressão de um contexto de trabalho marcado por exigências emocionais intensas e condições organizacionais desfavoráveis. Os resultados dialogam com a literatura nacional e internacional, reforçando a centralidade das dimensões organizacionais na gênese do adoecimento psíquico docente. Conclui-se que estratégias de prevenção e enfrentamento da síndrome de burnout devem priorizar intervenções organizacionais voltadas à melhoria das condições de trabalho, ao fortalecimento do apoio organizacional, à ampliação da autonomia profissional e à valorização do trabalho docente, especialmente no âmbito da educação infantil pública.

Ficha do documento

Tipo
Dissertação
Ano
2026
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/38605

Conteúdos relacionados

Voltar à Biblioteca
Logo