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Tese

Autodeterminação local e desenvolvimentouma análise da dinâmica social no município de São Roque de Minas

Gava, Rodrigo

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Resumo

As políticas de desenvolvimento no Brasil têm sido primordialmente organizadas por tradição centralista, privilegiando territórios com capacidades de retorno mais altas aos investimentos. Resulta uma ocupação fragmentada do território brasileiro e a desigualdade nas condições de vida de locais que não apresentam riquezas a serem exploradas ou uma posição privilegiada à logística produtiva de grande porte. A estrutura produtiva continua fortemente embasada na agricultura de larga escala e o parque industrial extremamente concentrado. Na discussão proposta, busquei contribuir para a superação das desigualdades da sociedade brasileira ao incorporar, na lógica do pensamento e da prática desenvolvimentista nacional, maior participação da população na dinâmica de desenvolvimento, quando sugiro o conceito de autodeterminação local. Nele, torna-se fundamental o papel do ator social, sustentado por sua legitimação frente ao sistema de atores e pela identidade local, cuja ação localmente autodeterminada pode vir a representar um alento à parte expressiva dos pequenos municípios de economias pouco dinâmicas. Realizada mediante ênfase qualitativa, priorizando dados coletados por entrevistas e observação, a pesquisa teve por objeto de estudo a relação entre a dinâmica social local e o desenvolvimento econômico e social de São Roque de Minas. Este município foi a principal fonte de observação e análise de um movimento que levou à criação de uma cooperativa de crédito que veio substituir a última agência bancária que deixou a cidade no contexto das desregulamentações e privatizações do início da década de 1990. Pela cooperativa foi possível dirigir um processo de desenvolvimento local, que apesar de trazer evidências de rompimentos com a prática dominante de desenvolvimento, passou a se expressar de modo continuísta. Pois, se representou um esforço de descentralização no planejamento e execução do desenvolvimento local, priorizando atividades produtivas com política de crédito facilitada, levando a uma maior endogeneização do sistema de decisões, acabou promovendo uma rearticulação produtiva típica de um capitalismo periférico, e não uma revolução burguesa. Limitando esse desenvolvimento ser mais amplo e sustentável a todas as camadas sociais deste espaço, pois é reincidente a priorização de investimentos em processos já dinâmicos e rentáveis ao capital, coincidentes com os interesses da burguesia local, que se afirma conforme o projeto acumula o retorno dos excedentes. Apesar do paradoxo Rompimento-Continuísmo, percebi, nesta cidade, avanços nas formas de impulso ao desenvolvimento local, embora o Estado deva reafirmar sua importância para a ampliação de condições e oportunidades produtivas além do que se predispõe fazer os agentes privados. Destaco a força da participação das pessoas em domínios antes dedicados exclusivamente ao Estado ¿ as política públicas de desenvolvimento ¿ cabendo aos atores político-administrativos das três esferas a ação conjunta no processo. Propus que esta iniciativa de desenvolvimento fosse entendida como uma autodeterminação local, ação coletiva da própria comunidade que se manifesta em condições de carência ou estagnação econômica, combinando esforços de interesse pessoal com outros de ordem social, que se relacionam e são sustentados pelo nível de identidade local existente entre os atores envolvidos. E que será força de transformação na medida em que estiver sustentada por interesses locais.

Ficha do documento

Tipo
Tese
Ano
2009
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Não informado
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/3277

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