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Dissertação

Artesãos da eletrônicamúsicos praticantes do faça você mesmo

Baroni, Alex Ribeiro Maia

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Resumo

Objetivo – O objetivo dessa pesquisa é investigar as práticas “faça você mesmo” no campo de eletrônica e música à luz dos debates presentes na literatura especializada. Busca-se compreender as semelhanças e diferenças entre esse universo em relação a outros já debatidos em estudos de Marketing, Cultura e Consumo. São analisadas 3 dimensões principais: os perfis dos praticantes, suas motivações para praticar o Do It Yourself e os sentidos que atribuem a essas práticas. Assim, em primeiro lugar, contextualizam-se esses praticantes em termos socioculturais com vistas a entendê-los como um grupo singular. Em seguida abordam-se as motivações para essas práticas. E, por fim, analisam-se os sentidos que atribuem tanto às suas atividades artesanais quanto ao produto final obtido por meio delas. Metodologia – Realizou-se uma pesquisa-ação do tipo qualitativa por meio de entrevistas semiestruturadas. Devido às limitações de distanciamento social impostas pela pandemia da COVID-19, a coleta dos dados foi realizada por meio de videoconferência. Utilizou-se um
 roteiro para entrevistar 13 informantes brasileiros, que atuam em práticas de DIY associadas à
 música. Como complemento, utilizaram-se conteúdos de centenas de e-mails trocados entre o
 autor dessa pesquisa e interessados nas práticas de “faça você mesmo”. O tratamento dos dados foi feito utilizando-se a técnica de análise de conteúdo, onde as informações foram agrupadas em três pilares centrais: perfis, motivações e sentidos. Resultados – Na observação dos perfis de praticantes DIY, encontrou-se um universo
 essencialmente masculino, com grande presença de guitarristas. A esse respeito, destacam-se
 as influências, também masculinas, que moldaram uma possível predisposição dos entrevistados a atividades manuais e práticas de instrumentos. No tocante às motivações, a busca por economizar ao produzir, em vez de comprar algo pronto, foi uma retórica recorrente. Sob o aspecto dos sentidos de autenticidade, ficou evidenciada a busca que os músicos estabelecem por meio do “faça você mesmo” para conseguirem resultados singulares, seja no aspecto sonoro ou mesmo visual. No tocante ao sentido de empoderamento, a pesquisa
 evidenciou que os praticantes são tomados por sensações de orgulho ao concluírem as atividades makers dadas as dificuldades em dominar a tecnologia empregada. Por fim, esclareceu-se que essas práticas makers na área da música não estabelecem um movimento de embate para com o mainstream. Limitações – O advento da COVID-19 foi um limitador por inviabilizar o contato direto com os entrevistados, restringindo a possibilidade de se obterem percepções, observações e resultados mais ricos como os que se poderiam coletar em interações presenciais mediadas pela própria prática maker ou em grupos focais presenciais. Ademais, a pesquisa limitou-se a analisar o perfil, motivações e os sentidos de músicos que praticam o DIY, não tendo contemplado outros aspectos relacionados com esse tema, como por exemplo, as dificuldades e facilidades de se praticar essa modalidade de DIY em um país como o Brasil. Contribuições práticas – Os resultados mostram sua força para os empreendedores e aspirantes a empreendedores no mercado de DIY, que poderão utilizar-se das informações desta pesquisa como uma ferramenta no auxílio da compreensão de públicos-alvo, permitindo um aprimoramento da comunicação com potenciais clientes e a introdução de inovações nesses mercados especializados. Os dados também permitem àqueles empreendedores que já atuam no mainstream de música e equipamentos eletrônicos compreenderem em maior profundidade os anseios dos praticantes makers, e assim melhorar aspectos da sua linha de produção, visando entregas mais alinhadas com o desejo desses “prossumidores”. Contribuições sociais – Foi lançada luz sobre as particularidades do DIY, que constituem práticas em tendência de crescimento e com potencial de formação de novos mercados. Sob a
 prerrogativa de construírem seus próprios equipamentos e instrumentos musicais, muitos praticantes vêm atuando de forma a empreender nessa atividade, auferindo dela seu sustento. São mostrados alguns modos pelos quais os praticantes convertem práticas DIY em um trabalho remunerado, desde a atuação de YouTubers, passando por indivíduos que ensinam o “faça você mesmo”, até aqueles que vivem dele vendendo instrumentos e equipamentos eletrônicos artesanais e autorais. A pesquisa evidencia essa atividade como um trabalho e um
 meio de sustento, contribuindo socialmente no sentido de se reconhecer o DIY não apenas como um hobby restrito a grupos privilegiados, mas também como uma atividade laboral artesã em expansão e com potencial econômico. Originalidade – A pesquisa mostra sua originalidade no campo de Marketing, Cultura e
 Consumo ao aprofundar um universo pouco discutido na produção acadêmica. Embora o DIY venha recebendo atenção, não há tantos estudos sobre a área da eletrônica aplicada à música. Outro aspecto original se refere à perspectiva de onde o conhecimento aqui desenvolvido é produzido, já que o autor da presente pesquisa é também um participante ativo do ambiente que analisa, condição pouco explorada em tais estudos disponíveis.

Ficha do documento

Tipo
Dissertação
Ano
2021
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Não informado
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/31384

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