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Angola, ame-a ou deixe-aos motivos para o reconhecimento Brasileiro da independência Angolana (1975)

Palomba, Leonardo Cit

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Resumo

No presente trabalho, analiso as motivações para o reconhecimento brasileiro da independência de Angola, em 10 de novembro de 1975. O ato do governo de Ernesto Geisel, além de gerar controvérsias no período em questão, tem sido objeto de acalorado debate historiográfico. Inicialmente, realizo uma revisão historiográfica, através da qual apresento e sistematizo os cinco principais motivos apresentados na literatura como supostas causas para o reconhecimento brasileiro. São eles: (i) o interesse brasileiro em explorar o petróleo do exclave de Cabinda; (ii) o interesse brasileiro em exportar manufaturas para Angola; (iii) o desejo brasileiro de sinalizar sua autonomia perante os EUA, reconhecendo o MPLA como uma forma de desafiar Washington após o boicote americano ao Acordo Nuclear Brasil-Alemanha Ocidental; (iv) o objetivo brasileiro de aproximar-se do MPLA para contrabalançar a influência cubano-soviética sobre o movimento; e (v) o interesse brasileiro em recuperar sua reputação perante outros países africanos, usando Angola como “porta de entrada” para o resto do continente. Utilizando o método de rastreamento de processo (process tracing), transformo os cinco argumentos supracitados em hipóteses testáveis e, com base em fontes primárias (documentos, telegramas, entrevistas etc.), testo cada uma delas para averiguar se foram ou não causas relevantes para o reconhecimento brasileiro. Os resultados que encontrei, além de robustos, são inéditos: a causa central para o reconhecimento foi o objetivo brasileiro de reduzir a influência cubano-soviética sobre o MPLA, reconhecendo Angola como uma forma de aproximar o governo angolano da órbita ocidental e evitar a instalação de bases soviéticas no país africano. O desejo brasileiro de recuperar sua reputação com o resto do continente africano também foi um fator levado em consideração na tomada de decisão, ainda que secundário. As outras três hipóteses – Petróleo de Cabinda, Exportação de Manufaturas e Autonomia face aos EUA – não encontram respaldo empírico. Tais descobertas indicam que (i) o “Pragmatismo Responsável” foi menos pragmático e mais ideológico do que os círculos diplomáticos gostariam de admitir; e (ii) a política externa de Geisel tem mais aspectos de continuidade do que de mudança em relação àquelas de seus antecessores, sendo todas elas pautadas pelo anticomunismo e pela aliança com o Ocidente.

Ficha do documento

Tipo
Outro
Ano
2025
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/38996

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