Análise das cardiopatias congênitas de urgência em São Paulo - a rede CROSS
Oliveira, Maira Marasca de
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Resumo
A presença de listas de espera, mesmo para procedimentos cirúrgicos de urgência, é um grande desafio a um Sistema Universal de Saúde. Soma-se ao fato, a importância da mortalidade infantil como indicador de saúde populacional e a necessidade da redução do componente neonatal precoce, representado em grande parcela pelas malformações cardíacas. Este estudo analisa pela primeira vez os dados da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde do Estado de São Paulo, de 1.437 crianças com cardiopatia congênita cirúrgica de urgência e menos de um ano, no período de fevereiro de 2019 a fevereiro de 2021, cadastradas no sistema devido à necessidade de realização de cirurgia cardíaca pediátrica em centros especializados. O objetivo do estudo é a identificação dos fatores relacionados ao acesso, com escopo em criação de novas políticas de saúde. Trata-se de estudo descritivo de abordagem quantitativa e qualitativa, simultâneas. Foi utilizada metodologia quantitativa avaliando as variáveis independentes: sexo, local de origem, hospital de encaminhamento, diagnóstico principal da patologia cardíaca congênita, outros diagnósticos, presença ou não de liminar judicial e classificação na escala de ajuste de risco cirúrgico de RACHS. A variável dependente foi o tempo de transferência da criança, desde o cadastro no sistema CROSS até a finalização. Foram estudadas a relação entre as variáveis, além da comparação dos grupos transferidos e não transferidos, pré-pandemia e durante a pandemia. A metodologia qualitativa foi realizada através da categorização temática das entrevistas dos médicos reguladores da rede. Os resultados do estudo mostraram que 30% destas crianças não são transferidas, apresentando este grupo maior frequência de cirurgias mais complexas (RACHS 4 a 6), e que patologias como atresia pulmonar e síndrome do coração hipoplásico apresentam maior tempo de transferência ou maior prevalência no grupo não transferidos. Mostrou também que o tempo de transferência foi menor no período da pandemia, pela otimização das cirurgias de urgência em detrimento das eletivas. Destacou ainda a participação da iniciativa privada como caminho à operacionalidade do sistema público e a necessidade ao incentivo e expansão de políticas já existentes, como o teste do Coraçãozinho. As entrevistas com os médicos reguladores da rede demonstraram a importância dos instrumentos da teleconsultoria e telemedicina, a impossibilidade do diagnóstico fetal precoce como alternativa, diante da atual baixa oferta de leitos; e a interferência da liminar judicial de forma negativa, dificultando a escolha do paciente realmente prioritário. A pesquisa sugeriu novas políticas de saúde, como: a priorização de patologias em fila de espera, a capacitação de centros já existentes e estímulo ao financiamento de cirurgias de alta complexidade, a implementação de instrumentos de teleconsultoria e telemedicina, a ampliação de novas alternativas em gestão e expansão de políticas de diagnóstico já vigentes.
Ficha do documento
- Tipo
- Dissertação
- Ano
- 2022
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/31791
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