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Tese

A Invenção da cidade inteligente Riouma análise do Centro de Operações Rio pela lente das mobilidades (2010-2016)

Freitas, João Alcantara de

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Resumo

Em abril de 2010, o Rio de Janeiro passou por uma das suas maiores tragédias recentes: as fortes chuvas que atingiram a cidade e o despreparo da prefeitura para lidar com situações de emergência resultaram na morte de mais de 300 pessoas. Simultaneamente, a cidade estava se preparando para sediar megaeventos como a Rio+20, a Jornada Mundial da Juventude, a Copa do Mundo e os Jogos Olimpícos e uma série de empresas multinacionais buscavam desenvolver parcerias com a Prefeitura, de forma a aproveitar a superexposição do Rio. Com o apoio da IBM, foi inaugurado no fim de 2010 o Centro de Operações Rio (COR): uma sala de controle que monitora todas as câmeras da prefeitura e reúne sob o mesmo teto representantes de cerca de 30 agências municipais, concessionárias que atuam na cidade e forças de segurança. Inicialmente, o objetivo do COR era criar um protocolo de ação e diminuir o tempo de respostas para eventuais emergências. Não obstante a esta função, o centro passou a ser muito importante na gestão das mobilidades urbanas e na preparação da cidade para os megaeventos. Ainda que outras cidades no mundo utilizem salas de controle para auxiliar à gestão urbana, este modelo multitemático se mostrou bastante disruptivo e, de certa forma, qualificou o Rio de Janeiro como smart city. O objetivo da presente tese é entender, por meio das lentes do Paradigma das Novas Mobilidades, o processo de invenção (WAGNER, 2010) do Rio de Janeiro como cidade inteligente. Trato como invenção, pois, analisando a evolução do debate sobre smart cities ao longo das últimas décadas, aponto que mais importante do que o uso de determinada tecnologia tem sido a narrativa que é contada a partir dela. O recorte da pesquisa é delimitado entre 2010, quando o COR começa a ser pensado, e 2016, último ano de mandato de Eduardo Paes. Proponho nesta tese uma análise multidimensional, reconhecendo a importância de entender o que o COR representa local e globalmente. Neste sentido, o Paradigma das Novas Mobilidades (SHELLER e URRY, 2016) se mostra fundamental para o desenvolvimento desta investigação, pois possibilita uma análise muito mais abrangente de sistemas relacionais complexos de infraestrutura e interação social em múltiplas escalas. Além disso, as mobilidades atravessam a presente pesquisa, enquanto objeto, de pelo menos três diferentes formas: mobilidade de políticas, mobilidades urbanas e as mobilidades dos megaeventos. O referencial empírico é construído a partir de oito entrevistas semiestruturadas, com: pessoas que trabalharam na criação ou no desenvolvimento do COR, incluindo o ex-prefeito Eduardo Paes; um funcionário da IBM que integrou a equipe que desenvolveu o projeto; um funcionário do SEPTA control center (sala de controle de Trânsito do Sudeste da Pensilvânia); e um antropólogo que pesquisa smart cities. Além das entrevistas, pude realizar duas visitas ao COR e uma ao SEPTA control center. A pesquisa revela como o Rio de Janeiro se tornou “inteligente” a partir do desenvolvimento do COR, e como isto tem total ligação com o contexto dos megaeventos que a cidade sediou entre 2007 e 2016. Aponto ainda indícios de como o Rio pode estar prefigurando um modelo que em um futuro próximo se difundirá em outras cidades.

Ficha do documento

Tipo
Tese
Ano
2018
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/24456

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