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Tese

A construção da legitimidade do empreendedor institucional na revitalização dos polos varejistas de rua

Silva, André Luiz Barbosa da

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Resumo

Os polos varejistas de rua assumem um papel relevante na vitalidade das cidades. No entanto, devido às mudanças de mercado e a rápida expansão de concorrentes diretos, sua sobrevivência vem sendo ameaçada. Uma das estratégias empregadas no intuito de tentar reverter este processo são representadas por intermédio de projetos de revitalização fundamentados na proposta de elevar a atratividade dos polos de ruas. No Brasil, diferentemente do contexto internacional, não existe um modelo institucionalizado resguardado por uma legislação específica que permita uma articulação e mobilização coesa para o processo de revitalização, viabilizando uma interação positiva entre o setor público e o privado. Em alguns estados brasileiros, algumas iniciativas surgiram em razão de inquietações de alguns varejistas e/ou organizações externas ao campo. Esses líderes varejistas se transformaram em empreendedores institucionais (EI), pois assumiram a condição de atores imbuídos de fortes esforços, a fim de modificar e estruturar o campo organizacional para os polos varejistas de rua. Frente a todo esse esforço estes varejistas precisaram construir a sua legitimidade entre os seus pares e, posteriormente, com instituições externas, caso contrário, não conseguirá propor a desinstitucionalização das estruturas vigentes, em busca de novas formas organizacionais. Dito isto, tem-se como o objetivo principal, nessa pesquisa, ressaltar a oportunidade de descrever como o EI constrói a sua legitimidade em campos ainda não institucionalizados; como são tratados os casos que envolvem os polos de rua no Brasil; e de que maneira estes campos “pré-emergentes” influenciam esse processo. Esta pesquisa fundamentou-se na abordagem qualitativa, aplicando um desenho de estudo de caso múltiplo. Foram realizadas uma série de entrevistas semiestruturadas envolvendo varejistas que atuaram como EI no projeto de revitalização, totalizando oito polos varejistas espalhados pelo Brasil. Também foram realizadas observações, coleta, análise de documentos disponibilizados pelos empreendedores e pesquisa de dados secundários realizados na web, no intuito de agregarem profundidade aos estudos de caso. Os resultados trouxeram à tona amostras das dificuldades encontradas pelos empreendedor institucional varejista (EIV) diante da pretensão de elevarem o grau de maturidade do polo varejista. A apresentação de um projeto estruturado, com benefícios coletivos e com o propósito de ampliar a atratividade local não foram suficientes para garantir a construção da legitimidade do EIV, na sua integridade. Além disso, nossas análises indicaram uma forte influência do precário grau de institucionalização do polo varejista na construção da legitimidade do EIV. Averiguou-se que os polos varejistas estavam posicionados no campo organizacional em um estágio pouco estruturado, a ponto serem caracterizados como campos pré-emergentes. Assim, a nossa pesquisa gera uma contribuição valorativa ao procurar descrever, da melhor forma possível, como os EIV buscaram construir a sua legitimidade entre os seus pares, assim como perante os demais atores sociais externos ao polo. Em outro viés, contribuímos também com o avanço proposto nessa pesquisa ao viabilizar recomendações gerenciais para o próprio polo, e também para que políticas públicas passem a apoiar, de forma efetiva, todo esse processo, estimulando a revitalização de polos, evitando-se, com isso, fenômenos de degradação de áreas centrais das cidades.

Ficha do documento

Tipo
Tese
Ano
2017
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Não informado
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/18065

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