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Dissertação

Ausência de especialistas e desafios da gestão médicaanálise de dois serviços de saúde em São Paulo

Atencia, Carlos Eduardo Belasco

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Resumo

O provimento de especialistas em unidades de saúde da cidade de São Paulo continua sendo um desafio expressivo, especialmente em setores de emergência e em áreas periféricas. A ocupação de postos de trabalho originalmente destinados a médicos especialistas por profissionais sem residência médica é reflexo de uma conjunção de fatores estruturais: escassez de recursos humanos qualificados, concentração de programas de residência em centros de excelência e falhas nas políticas públicas voltadas à formação, distribuição e fixação desses profissionais. Tal cenário repercute de forma direta na qualidade do atendimento prestado à população e compromete a segurança dos usuários, tanto no Sistema Único de Saúde (SUS) quanto nos serviços da rede privada. Objetivo: Analisar as causas e os efeitos da presença de médicos sem residência médica atuando em postos de trabalho destinados a especialistas na rede de saúde da capital paulista, com foco especial em serviços de urgência e emergência. Além disso, o estudo visa investigar fatores que restringem a oferta ou a adesão à formação especializada e propor estratégias de gestão voltadas à qualificação e retenção desses profissionais. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa de abordagem mista, que articula dados quantitativos secundários provenientes de sistemas oficiais (CNES, CREMESP, IBGE, SIS-CNRM) e dados qualitativos coletados por meio de questionário eletrônico estruturado e entrevistas semiestruturadas com dois grupos: médicos atuantes em unidades de emergências públicas e privadas com foco na área pediátrica (com e sem residência médica) e gestores de unidades de saúde. As entrevistas buscaram explorar trajetórias profissionais, motivações para adesão ou não à especialização, percepções sobre as condições de trabalho e sugestões para políticas de gestão da força de trabalho em saúde. O material qualitativo foi analisado por meio da técnica de análise temática, a fim de identificar padrões, desafios e propostas recorrentes. Resultados: Nas unidades de emergência pediátrica pública e privada analisadas, localizadas na zona Norte da cidade de São Paulo, observou-se o predomínio de médicos generalistas nas escalas de plantão, inclusive nos turnos com maior demanda clínica. Muitos desses profissionais atuavam em regime PJ, com vínculos precários e alta rotatividade. Essa configuração institucional compromete a continuidade do cuidado, aumenta o número de encaminhamentos para outros serviços e fragiliza a resolutividade clínica local. Embora os achados se refiram a uma única unidade do setor privado, eles são consistentes com tendências apontadas na literatura nacional, como a concentração das vagas de residência médica em instituições localizadas em áreas centrais, a ausência de planos de carreira estruturados nos hospitais públicos regionais e a baixa atratividade das condições de trabalho oferecidas aos especialistas. Conclusão: A manutenção de profissionais sem formação especializada em áreas sensíveis como a pediatria, mesmo em unidades privadas, reforça a precarização do cuidado, acentua desigualdades regionais e revela lacunas na articulação entre formação médica e planejamento da força de trabalho em saúde. Esse diagnóstico aponta para a necessidade de políticas públicas integradas, que contemplem a valorização de especialistas, a interiorização e descentralização da formação médica e o fortalecimento de vínculos profissionais estáveis, tanto na rede pública quanto nos serviços privados, sobretudo em regiões vulneráveis da metrópole paulistana.

Ficha do documento

Tipo
Dissertação
Ano
2025
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/38200

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