Teoria ator-redepela emancipação, anti-hegemonia e descolonização de evidências científicas em políticas públicas
Marques, Ivan da Costa
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Resumo
O capítulo propõe a utilização da Teoria Ator-Rede (TAR) como uma ferramenta analítica e desnaturalizadora para questionar o estatuto das evidências científicas no desenho e acompanhamento de políticas públicas no Brasil. O autor argumenta que o positivismo dominante atribui às ciências euro-americanas os privilégios de neutralidade, universalidade e objetividade absolutas, ignorando que os fatos científicos são construções relacionais e situadas. Ao resgatar a tradição dos "estudos de laboratório", o texto demonstra que a consolidação de teorias e descobertas científicas depende da fabricação de acordos provisórios a partir de "inscrições" geradas por instrumentos heterogêneos. Para ilustrar o conceito de entes relacionais, o autor utiliza os exemplos pragmáticos da constelação do Cruzeiro do Sul e do isolamento molecular em pesquisas biológicas. Mostra-se que tais entidades não guardam uma essência fixa "lá fora", mas existem estritamente em virtude de arranjos sociotécnicos estáveis. A partir dessa premissa, o capítulo realiza uma crítica à colonialidade do saber no cenário brasileiro, no qual o edifício cognitivo metropolitano costuma invalidar conhecimentos populares e modos de vida locais que resistem aos cânones disciplinares tradicionais. Por fim, o texto defende que a TAR atua como um instrumento contracolonial e emancipatório. Em vez de simplesmente rejeitar o conhecimento formal já institucionalizado nos ambientes governamentais, a teoria oferece fundamentação epistemológica para realizar intervenções críticas e "puxadinhos" analíticos nas premissas das políticas públicas. Assim, ao incentivar os gestores a problematizarem as métricas estatísticas e os critérios de eficiência, rapidez ou custo, a TAR fomenta uma prática antropofágica e politizada na construção das evidências, alinhando-as às reais necessidades de justiça social e diversidade cultural do país.
Ficha do documento
- Tipo
- Livro
- Ano
- 2026
- Instituição
- Ipea
- Fonte
- Repositório do Ipea
- Idioma
- Português
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.ipea.gov.br:11058/20593
- Licença
- Licença Comum
- Abrangência
- Brasil
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