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Tese

State ownership and Brazilian multinational enterprisesdegree of internationalization and financial performance

Carrera Junior, José Marcos

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Resumo

Empresas públicas são um mecanismo adotado por países emergentes para suprir a necessidade de investimento em áreas específicas. Na política de industrialização por substituição de importações marcada pela intervenção do Estado na economia, protegidas da competição estrangeira, empresas públicas e privadas nacionais usufruíam de amplo poder de mercado. Entretanto, choques econômicos das décadas de 70 e 80, associados à crescente ineficiência destas empresas devido a problemas de agência, geraram perdas. Durante a década de 90, os países latino-americanos, abriram sua economia e adotaram programas de privatizações. Empresas nacionais fortes podem ser úteis ao Estado por controlarem recursos estratégicos, e visando manter a soberania nacional, para evitar que as empresas públicas fossem adquiridas por investidores estrangeiros, e para continuar mantendo influência sobre sua gestão, o Estado brasileiro manteve uma participação acionária minoritária. Além disso, o governo brasileiro investiu em algumas empresas para torná-las competitivas globalmente (“campeãs nacionais”), mantendo também participação minoritária para evitar sua aquisição por estrangeiros e manter influência sobre elas. Argumentamos que o governo não abandonou sua política de intervenção na economia, apenas a adaptou à novas circunstâncias. Empresas públicas podem performar pior do que empresas privadas devido a problemas de agência, ao passo que o governo como acionista minoritário pode auxiliar as empresas ao prover recursos financeiros e políticos. Desta forma, avaliamos a influência da propriedade do Estado sobre o grau de internacionalização e desempenho financeiro das empresas. Analisando um painel de companhias não financeiras listadas entre 2002 e 2016, verificamos que quanto maior o nível de participação do governo brasileiro na propriedade, principalmente por meio de fundos de pensão e BNDES, maior o grau de internacionalização medido pela razão entre as vendas no mercado externo e vendas totais. O grau de internacionalização foi ainda maior quando o governo foi o acionista minoritário de empresas controladas por famílias. Ao analisar o impacto da propriedade estatal na performance financeira das empresas, verificamos que embora antes da crise brasileira de 2014-2016 as empresas que tinham o governo como acionista não tiveram um desempenho pior do que empresa privadas, durante a crise, quando o suporte governamental diminuiu, a relação entre participação majoritária do estado e desempenho foi fortemente negativa, ao passo que embora negativo, não houve efeito estatisticamente significativo da participação minoritária, evidenciando a necessidade das empresas investidas pelo governo em criarem competências para performarem bem mesmo sem o apoio estatal. O grau de internacionalização não amenizou os efeitos da crise para as empresas analisadas, o que pode indicar que o ambiente institucional do país de origem tem forte peso no desempenho das empresas.

Ficha do documento

Tipo
Tese
Ano
2018
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Inglês
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/24473

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