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Relatório

Robôs, redes sociais e política no Brasilanálise de interferências de perfis automatizados de 2014

Ruediger, Marco Aurélio; Grassi, Amaro; Guedes, Ana Lúcia

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Resumo

A atuação de robôs e a geração de perfis automatizados no debate político são riscos conhecidos ao processo democrático desde pelo menos 2014, conforme estudo da FGV DAPP de agosto de 20171 que demonstrou a presença de “robôs” atuando em favor dos principais campos políticos no Twitter durante a eleições naquele ano. Em 2018, no entanto, a questão é ainda mais relevante, e agora agravada pelo fenômeno das fake news : os bots já estão presentes no debate político , como consta em estudo da FGV DAPP no prelo com foco nos principais presidenciáveis. O presente estudo (inédito) identifica, agora, uma botnet (rede de robôs), tendo o processo político de 2014 como referência, de 699 perfis automatizados (uma “sub-rede” do total de robôs identificados pela FGV DAPP no período) que compartilharam conteúdos das campanhas de Aécio Neves (PSDB) e de Marina Silva (ex-PSB) em 2014 . Na mesma base de dados das eleições de 2014, foram avaliadas também as contas automatizadas da campanha da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). A análise identificou uma botnet com total de 430 contas automatizadas (outra “sub-rede”) que compartilharam o link do site Muda Mais e 79 contas que compartilharam o link de Dilma . A análise revela, em síntese, vínculos entre (1) empresas que prestaram serviços às candidaturas de Aécio, Marina e Dilma e as respectivas campanhas, e (2) sites de campanha cujos conteúdos foram compartilhados por redes de robôs (botnets ), nas campanhas de Aécio Neves (Caso 1), Marina Silva (Caso 2) e Dilma Rousseff (Caso 3) . O estudo, porém, não visa identificar a contratação da prestação de serviços para o uso de perfis automatizados pelas campanhas ou candidatos analisados, uma vez que possui interesse apenas acadêmico e metodológico, no que diz respeito às implicações de interferências de robôs e perfis automatizados no debate público nas redes sociais. Em referência ao Caso 1 - Campanha Aécio Neves , a partir do site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , foi possível identificar pagamentos no valor de R$ 168 mil em três parcelas à Storm Security para prestação de serviços de tecnologia, configurando vínculo entre a prestadora e o site cujos conteúdos foram compartilhados por robôs. No Caso 3 - Campanha Dilma Rousseff , esse vínculo é comprovado por uma decisão do TSE deferindo liminar , pedida por Marina Silva e sua coligação, que sustenta que a empresa Digital Polis , detentora do registro do site www.dilma.com.br , era o braço de internet da Polis Propaganda , “empresa em cujo nome está o www.mudamais.com ". A análise dos padrões de imagens, textos e locações que constam nos robôs do Caso 1 - Campanha Aécio Neves remete ainda para serviços potencialmente adquiridos e/ou produzidos no exterior, sobretudo na Rússia . Com o financiamento público previsto para 2018, o uso de robôs para disseminar fake news pode interferir no processo democrático. Os resultados confirmam, portanto, os riscos de interferências nas eleições brasileiras por meio do uso , em todos os principais campos políticos, de perfis automatizados (robôs) e conteúdos manipulatórios nas redes sociais nas eleições de 2018 e no financiamento de campanha, agora com recursos públicos. Robôs podem apresentar aspectos negativos e positivos : podem ser poluidores de conteúdo e promotores maliciosos; mas também podem ser legítimos, publicando notícias e atualizando feeds , realizando transações, atendimento, entre outros serviços. No presente estudo, o foco recai sobre os primeiros, com o objetivo principal de gerar reflexões acerca das interferências no processo eleitoral e da defesa da democracia. Por fim, os resultados apresentados neste documento foram obtidos a partir de uma sequência de processos metodológicos, analíticos e investigativos. O fato de que as informações obtidas sejam de fontes públicas e de livre acesso implica que o estudo pode ser replicada para fins de verificação da metodologia utilizada pela FGV DAPP.

Ficha do documento

Tipo
Relatório
Ano
2018
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Editora
FGV DAPP
Idioma
Português
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/25740

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