Risco fiscal e a curva de juros em mercados emergentesintolerância à dívida e a dinâmica informacional dos ratings soberanos
Mello, Gabriel da Motta
O documento é disponibilizado pela fonte de origem, que mantém a versão integral e as condições de uso.
Resumo
Esta dissertação investiga a dinâmica de precificação do custo de financiamento soberano em economias emergentes, contrastando o impacto dos fundamentos macrofiscais com a percepção institucional das agências de classificação de risco (rating). Utilizando um painel balanceado de dez economias emergentes (2006–2024), a estratégia empírica quantifica, inicialmente, a natureza não-linear e convexa do risco fiscal. Os resultados são consistentes com o fenômeno da intolerância à dívida ao contrastar regimes de alavancagem: em um regime de dívida baixa, estima-se que uma redução da relação Dívida/PIB de 40% para 30% gere um alívio modesto, de aproximadamente 30 pontos-base na curva longa de juros; sob um regime de dívida alta, contudo, o exato mesmo esforço fiscal (uma redução de 80% para 70%) associa-se a uma compressão estrutural de entre 123 e 152 pontos-base — um retorno entre quatro e cinco vezes maior para um ajuste de idêntica magnitude. A segunda contribuição do estudo advém da submissão desta realidade fiscal a testes de estresse dinâmico via estimadores System GMM e Vetores Autorregressivos em Painel (PVAR). Sob controle de inércia financeira (coeficiente de 0,758) e endogeneidade, a significância contemporânea do Rating é mitigada. A Decomposição da Variância (FEVD) e o teste de causalidade de Granger em painel sugerem que o score de crédito possui um teto informacional delimitado: embora exerça um efeito de certificação a posteriori, a agência parece atuar predominantemente como um indicador defasado (lagging indicator). Conclui-se que a credibilidade em mercados emergentes está fortemente associada à sustentabilidade fiscal avaliada pelo mercado secundário, com a chancela institucional desempenhando, nesta amostra, papel de validador secundário.
Ficha do documento
- Tipo
- Dissertação
- Ano
- 2026
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/40056
Conteúdos relacionados
- DissertaçãoUma análise sobre o uso das expectativas de mercado para mensuração do espaço fiscal brasileiroFundação Getulio Vargas · 2024
- DissertaçãoArcabouço fiscal brasileiroFundação Getulio Vargas · 2023
- Artigo científicoSustentabilidade fiscalBARBOSA, Fernando de Holanda. Macroeconomia. Revista Conjuntura Econômica, Rio de Janeiro, v.74, n.9, set. 2020. · 2020
- DissertaçãoFadiga fiscal dos Estados brasileiros e a sustentabilidade das dívidas estaduaisFundação Getulio Vargas · 2020