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Dissertação

Preconceito, expressão de gênero e desempenho de pessoas transgêneras e não-binárias em empresas cisnormativas brasileiras

Correa, Cindy Baganha

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Resumo

Este estudo investiga como o cisbinarismo organizacional, em empresas brasileiras, afeta pessoas transgêneras e não-binárias, com foco na expressão de gênero e percepção de desempenho. E mapeia fatores organizacionais percebidos como mais relevantes para mitigar barreiras. O estudo se insere em um contexto nacional marcado por violências extremas contra pessoas trans, incluindo assassinatos e exclusão social. Adotou-se desenho de métodos mistos convergente, por meio de pesquisa online, anônima e autoaplicável, realizada no fim de 2025. A amostra final foi composta por 46 pessoas respondentes, principalmente homens trans, mulheres trans e pessoas não-binárias. Os resultados indicam que a cisnormatividade opera no trabalho como norma cotidiana, produzindo microagressões, invisibilização e desgaste simbólico com maior frequência do que violências explícitas. Emergiram narrativas de moderação da expressão de gênero e autocontenção para evitar exposição como formas de reduzir risco e ampliar segurança. Observou-se discrepância entre a expressão de gênero desejada e a praticada, especialmente entre pessoas que se identificam fora do binarismo. Ao mesmo tempo, a autoavaliação de desempenho tende a permanecer elevada, sugerindo que desempenho e percepção de preconceito não são dimensões excludentes. A inclusão foi percebida como dependente de mecanismos institucionais consistentes, como oportunidade, informação, treinamento e, sobretudo, responsabilização de colegas, em geral cisgêneras, em casos de discriminação e transfobia. Os achados dialogam com o framework de Círico e Galvão (2021) e sugerem a necessidade de ampliar o Ciclo de Inclusão Organizacional para pessoas trans e não-binárias com dois elementos novos: massa crítica e políticas oficiais, incluindo sistemas para nome e pronomes. Como contribuição teórica, o estudo propõe essa ampliação e reforça a centralidade do cisbinarismo organizacional para compreender como estruturas corporativas afetam expressão de gênero e desempenho. Estudos futuros podem adotar desenhos longitudinais para examinar como a pressão cisnormativa e estratégias de moderação da expressão de gênero afetam saúde mental e desempenho no tempo.

Ficha do documento

Tipo
Dissertação
Ano
2026
Instituição
Fundação Getulio Vargas
Idioma
Português
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.fgv.br:10438/38738
Temas
Saúde

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