Essays in corporate risk management
Schiozer, Rafael Felipe
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Resumo
Este trabalho investiga quais são os fatores que levam empresas não financeiras da América Latina a gerenciar seus riscos usando derivativos. O foco principal é a gestão de risco cambial. Para tal, a pesquisa foi escrita dividindo-se em um capítulo introdutório, contendo a motivação da pesquisa e uma revisão da literatura sobre gestão de riscos financeiros, dois capítulos principais e uma conclusão. O segundo capítulo mostra os resultados de um questionário respondido pelos diretores financeiros de 74 empresas listadas na Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA), em que se constatou que: i) empresas maiores são mais propensas a usar derivativos; ii) o risco cambial é o mais freqüentemente gerenciado com derivativos; iii) as questões relativas ao arcabouço jurídico-institucional, tais como a tributação sobre uso de derivativos e o tratamento contábil das operações de hedge preocupam mais os gestores financeiros do que as questões relacionadas à implementação, operacionalização e manutenção dos programas de hedge usando derivativos. O terceiro capítulo estuda os determinantes da gestão de risco nos quatro países mais importantes da América Latina (Argentina, Brasil, Chile e México). Investiga-se não apenas a decisão de utilizar derivativos, como uma variável binária, mas também a intensidade de utilização de derivativos, medida pelo valor nominal dos contratos em aberto. Trata-se do primeiro estudo a utilizar informações sobre as carteiras de derivativos de empresas de países emergentes. O uso de um conjunto de países permite que se compreenda a influência de fatores econômicos e institucionais, em especial o maior endividamento em moeda estrangeira, a maior volatilidade das taxas de câmbio e juros nos países latinoamericanos, a menor estabilidade político-institucional e o menor desenvolvimento dos mercados financeiros, questões que têm uma importância menor em mercados desenvolvidos. A contribuição principal deste trabalho está em auxiliar o entendimento da relação entre o uso de derivativos cambiais e a sensibilidade dos resultados operacionais às flutuações cambiais. Distintamente do que mostram trabalhos anteriores para empresas norte-americanas, a evidência obtida nesse trabalho mostra que as carteiras de derivativos de câmbio das empresas latinoamericanas são capazes de gerar fluxos de caixa comparáveis, em ordem de magnitude, às despesas financeiras e aos investimentos, mostrando que os derivativos são instrumentos chave nas estratégias de gestão de risco das empresas. Também se trata do primeiro trabalho a mostrar evidência forte e robusta que firmas cujos lucros operacionais se beneficiam da desvalorização da moeda local (por exemplo, exportadores), têm uma proteção natural contra o risco de dívida em moeda estrangeira, que permite a essa empresas captar mais dívida externa. Isso implica que empresas que possuem essa estrutura de receitas e custos precisam de menos derivativos para fazer hedge. Também se mostra que empresas maiores são mais propensas a usar derivativos, mas a magnitude das carteiras de derivativos está negativamente relacionada ao tamanho da empresa, o que é consistente com a teoria financeira e está em linha com os resultados obtidos para empresas dos Estados Unidos.
Ficha do documento
- Tipo
- Tese
- Ano
- 2006
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Inglês
- Acesso
- Não informado
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/2569
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