Corporate irresponsibility in authoritarian contextsorganizational ignorance, rectification, and contested memories in the fire at Vila Socó case
Maritan, Rodolfo Ferreira
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Resumo
Esta tese investiga como as organizações gerenciam estrategicamente a Ignorância Organizacional para sustentar a Irresponsabilidade Social Corporativa (CSiR) ao longo do tempo, especialmente em contextos autoritários. A pesquisa é composta por três artigos interligados, cada um utilizando diferentes abordagens metodológicas para explorar o fenômeno. O primeiro artigo examina o caso do incêndio da Vila Socó, analisando como a Petrobras mobilizou a Ignorância Organizacional antes e após a tragédia para minimizar sua responsabilidade e moldar os esforços de retificação. Metodologicamente, este estudo se baseia na análise documental de arquivos de comissões da verdade locais, registros jurídicos, reportagens de época e declarações institucionais. Como contribuição teórica, o artigo introduz o conceito de "Retificação nos Termos da Empresa", adicionando uma nova dimensão ao framework de CSiR ao demonstrar como empresas manipulam processos de retificação para evitar a responsabilização de atores corporativos e evitar a reparação efetiva de danos. Diante dos achados empíricos do primeiro artigo, o segundo artigo propõe uma conexão teórica entre CSiR e Ignorância Organizacional, argumentando que a supressão e o acúmulo de conhecimento ignorado ao longo do tempo resultam em eventos de CSiR. Para ilustrar esse processo, o artigo introduz a metáfora do "funil do conhecimento ignorado", explicando como a negligência deliberada conduz ao cerceamento de conhecimentos até um ponto de transbordamento em que as informações ocultas deflagram um evento de CSiR. Esse artigo adota uma abordagem teóricaconceitual, fundamentada na revisão da literatura. O terceiro artigo explora a dimensão política do caso, examinando como a aliança entre o Estado e a Petrobras moldou disputas de memória para evitar responsabilização. A metodologia inclui análise documental, entrevistas com atores institucionais locais e observação participante na comunidade, permitindo captar tanto as estratégias corporativas de silenciamento quanto as formas de resistência da comunidade que nutriu suas próprias interpretações sobre o incêndio da Vila Socó. Como contribuição, propõe o conceito de "Mobilização Intergeracional de Contramemória", que descreve como comunidades resistem a narrativas hegemônicas de eventos traumáticos e constroem memórias alternativas ao longo do tempo. A tese avança a literatura de CSiR ao demonstrar que a irresponsabilidade corporativa não é apenas um fenômeno reativo, mas um processo intencional sustentado por Ignorância Organizacional e por alianças político-institucionais que favorecem empresas em detrimento das vítimas e da sociedade. Além disso, contribui para os estudos sobre memória organizacional ao explorar como disputas narrativas moldam percepções de responsabilização ao longo do tempo.
Ficha do documento
- Tipo
- Tese
- Ano
- 2025
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Inglês
- Acesso
- Acesso restrito
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/36779
- Palavras-chave
- Corporate Social Irresponsibility (CSiR)Organizational Ignorance (OI)HarmMemory disputesPetrobrasIrresponsabilidade social corporativaIgnorância organizacionalDanoAdministração de empresasResponsabilidade social da empresaAdministração de empresas - Processo decisórioComunicação na administraçãoAprendizagem organizacionalDanos (Direito)
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