Como o sistema de reputação baseado em avaliação mútua é utilizado por participantes provedores da economia compartilhada?
Pacheco Filho, Ulysses Pereira
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Resumo
Nesta dissertação, investigamos como sistemas de reputação podem interferir na construção da confiança entre estranhos que são participantes da Economia Compartilhada (EC). Ela pode ser definida como uma atividade econômica, viabilizada por uma plataforma tecnológica, baseada nas interações entre provedores e usuários. Nosso foco de estudo é como um provedor pode se sentir mais confortável em emprestar seu ativo ou seu tempo a um estranho. Exploramos como um sistema de reputação mútuo pode ser o catalizador do desenvolvimento da confiança inicial entre estranhos. Desta forma, tentamos cobrir uma lacuna, identificada na revisão literária, sobre o uso de sistemas de reputação mútuo em Economia Compartilhada. Como se trata de uma relação de mútua interferência, utilizamos a lente teórica da sociomaterialidade que nos permitiu analisar a construção dinâmica dos sistemas de reputação e seus usuários, bem como prover cortes agenciais em relação ao incentivo e à punição de usuários desta economia. A exploração empírica de como o sistema de reputação é utilizado foi feito por meio de um estudo de caso único, no qual verificamos a utilização do sistema de reputação do passageiro pelo motorista da Uber na prestação de serviços de transporte individual. Por intermédio de entrevistas semiestruturadas com motoristas, análise de documentação e netnografia em grupos de motoristas no Facebook e WhatsApp, pudemos contribuir para a identificação de perfis de provedores com diferentes necessidades de confiança inicial. Também identificamos a forte interferência que os intermediários podem exercer no uso do sistema de reputação ao criar formas de opressão ao provedor. E, por último, contribuímos para a descoberta do resultado de bricolagem sociomaterial quando provedores adotam novas práticas de utilização do sistema de reputação para compensar as idiossincrasias dos intermediários como Uber. Como contribuições práticas, destacamos a importância do tratamento igualitário a provedores e a usuários de plataformas de EC. Em sistemas de reputação de avaliação mútua, o favorecimento do intermediário a qualquer dos participantes acaba contaminando a avaliação e a utilização da reputação, invalidando-a como aparato de medição da confiança inicial. Também salientamos a necessidade de regular o comportamento dos intermediários em relação aos abusos na manipulação de informações, gerenciamento de provedores (como direito de defesa) e práticas de preços abusivos. Há também várias sugestões de melhorias dos recursos das plataformas para facilitar o uso do sistema de reputação como a divulgação de punições e incentivos a usuários ou do que deve ser avaliado pelos provedores e usuários após a colaboração.
Ficha do documento
- Tipo
- Dissertação
- Ano
- 2018
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Acesso aberto
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/20698
- Temas
- EconomiaTransportes
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