Casos de fraudes corporativas financeirasantecedentes, recursos substantivos e simbólicos relacionados
Costa, Ana Paula Paulino da
O documento é disponibilizado pela fonte de origem, que mantém a versão integral e as condições de uso.
Resumo
As pesquisas, no campo de estudos organizacionais, têm mostrado limitada capacidade para a compreensão e análise do complexo tema 'fraudes corporativas', pois negligenciam o fenômeno como um processo (sequência de atos), tratando-o como um evento (ASHFORTH et al., 2008), menosprezando que cada tipo de fraude requer um conjunto de recursos, esquemas cognitivos e contextos (BAUCUS, 1994; MACLEAN, 2008; MISANGYI; WEAVER; ELMS, 2008). Eles não permitem responder à pergunta ‘Como a fraude ocorre nas corporações?’. Para tal é necessário identificar e analisar os fatores que permitem a fraude surgir e se sustentar. O presente trabalho, com intuito de identificar os elementos característicos do fenômeno da fraude e como se criou um contexto favorável para ela, estudou dois casos emblemáticos ocorridos no Brasil (Boi Gordo e Banco Santos). A análise, feita com uma abordagem de pesquisa baseada na grounded theory, com análise de documentos e de discursos, consubstanciou-se em um arcabouço teórico substantivo para o contexto de fraudes corporativas financeiras contra terceiros. O trabalho analisou o movimento do fenômeno, suas origens, seu desenvolvimento e consolidação e sua crise, identificando as variáveis antecedentes (de predisposição e oportunidade), bem como os recursos substantivos e simbólicos usados no desenvolvimento da fraude; evidenciando a forma como os recursos se relacionaram para criar a lógica institucional fraudulenta e; integrando os fatores antecedentes à operacionalização da fraude, de forma apreender os elementos constitutivos do processo. O esforço teórico e empírico aqui desenvolvido, resultou numa proposta inicial de modelo interpretativo, com a identificação de novos elementos teóricos. Evidenciou 'o negócio baseado na confiança' como categoria central e mostrou de que modo esse elemento interage com outras categorias e propriedades. Entre os novos elementos estão os aspectos da vítima, a dialética centralização do comando e descentralização do negócio em várias empresas (com uso de 'laranjas') e o uso de aspectos culturais como oportunidade para a fraude. Evidenciou ainda de que maneira os recursos substantivos usados por empresas idôneas ganharam novos significados, por meio de esquemas cognitivos e, permitiu a identificação de três momentos no processo: 'origem', 'pseudo sintonia' e 'espiral'. A dimensão multifacetada da fraude corporativa foi evidenciada, inclusive fazendo a ligação com a dimensão social (DEBORD, 1997; BOORSTIN, 1992; GOFFMAN, 1959; BAUDRILLARD, 1991; BOURDIEU, 2007). A tese constitui uma contribuição para a compreensão ampliada do fenômeno, numa perspectiva integrativa, interacionista e processual, que pode ser replicada em futuras pesquisas para construir um arcabouço robusto e generalizável em outros contextos substantivos ou ainda para a teoria formal de fraudes corporativas.
Ficha do documento
- Tipo
- Tese
- Ano
- 2011
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Não informado
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/8542
- Temas
- Governança
- Palavras-chave
- Corporate fraudOrganizational corruptionSymbolic interactionist perspectiveSymbolic resourcesSubstance and imageImageFraude corporativaInteração simbólicaRecursos substantivos e simbólicosSubstância e imagemBoi gordoBanco SantosImagemAdministração de empresasFraudeFraude - BrasilInstituições financeiras - Corrupção - Brasil
Conteúdos relacionados
- Artigo científicoFraudes corporativasFundação Getulio Vargas, Escola de Administração de Empresas de S.Paulo · 2012
- Artigo científicoAmericanasEscola Brasileira de AdEscola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getulio Vargas (FGV EBAPE) · 2023
- DissertaçãoFraude e gestão temerária em fundos de pensãoFundação Getulio Vargas · 2020
- DissertaçãoDoes trade credit respond to negative shocks to customer firms?Fundação Getulio Vargas · 2018