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A Política do senso comumdeclínio democrático e o desmonte da política pública informada por evidências em governos populistas autoritários

Fernandez, Michelle; Morais, Michelle

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Resumo

O capítulo analisa o fenômeno da "política do senso comum" como uma estratégia retórica e ideológica adotada por governos populistas autoritários para legitimar o desmonte de políticas públicas e confrontar o conhecimento científico e técnico. O texto utiliza o conceito de hardball institucional para explicar como líderes iliberais tensionam e enfraquecem as instituições, regras e constrangimentos democráticos para impor agendas personalizadas e simplistas. A partir de uma abordagem comparada, as autoras examinam as manifestações empíricas desse processo no Brasil (durante a gestão de Jair Bolsonaro, de 2019 a 2022) e nos Estados Unidos (especialmente no segundo mandato de Donald Trump, a partir de 2025). Em ambos os cenários, evidencia-se um padrão de perseguição à burocracia profissional de carreira, deslegitimação de dados oficiais, militarização ou aparelhamento de cargos estratégicos por outsiders e desinvestimento em áreas fundamentais de produção de evidências, como saúde, educação, ciência e meio ambiente. O estudo conclui que a política do senso comum atua como um contraprincípio direto às políticas informadas por evidências, operando como um mecanismo de erosão democrática que substitui o debate racional e técnico pelo apelo puramente emocional e polarizado.

Ficha do documento

Tipo
Livro
Ano
2026
Instituição
Ipea
Idioma
Português
Acesso
Acesso aberto
Identificador
oai:repositorio.ipea.gov.br:11058/20586
Licença
Licença Comum
Abrangência
Brasil

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