A nova direita e relações sociais nos ambientes de trabalhoas percepções dos grupos não hegemônicos
Souza, José Gonçalves de
O documento é disponibilizado pela fonte de origem, que mantém a versão integral e as condições de uso.
Resumo
Objetivo: Partindo do pressuposto que as relações sociais são determinadas pelos fatores históricos, sistema econômico, regime político e estrutura social, elaboramos esta pesquisa com o objetivo de desvelar em que medida a eleição de um governo conservador, em 2018, no Brasil, tem influenciado as relações sociais no ambiente de trabalho, especialmente no que tange aos grupos não-hegemônicos.
 Metodologia: Realizou-se uma pesquisa empírica delimitada a mulheres e indivíduos LGBTQIAPN+, que trabalham nas regiões metropolitanas de São Paulo e Rio de Janeiro. Quando devidamente autorizados, gravamos e transcrevemos as entrevistas, as quais foram submetidas à Análise Crítica do Discurso (ACD).
 Resultados: A partir dos três eixos de análise (texto, discurso e prática), a prática social revelou que as noções de poder, ideologia e hegemonia se fizeram presentes nas narrativas dos entrevistados, os quais estão (cons)cientes de que a atual ideologia predominante no país produz, naturaliza e legitima discursos de ódio, os quais têm deteriorado o ambiente de trabalho. A prática discursiva, por sua vez, sugere a intensificação dos discursos sexistas e LGBTQIAPN+ fóbicos nas organizações, e que os mesmos são pautados sempre em questões que tangem à produtividade, meritocracia, imparcialidade e assepsia das empresas. Por fim, a prática textual foi evidenciada nos turnos de falas; nomeadamente, no quanto as mulheres são interrompidas nas reuniões.
 Limitações: Há uma limitação espaço-temporal, dado que nos debruçamos apenas sobre o período do mais recente governo conservador brasileiro, compreendido entre de 2016 a 2021, bem como as duas maiores regiões metropolitanas do país. Ademais, em função das medidas de isolamento social, devido à pandemia de Covid-19 ainda impostas no período das entrevistas, as mesmas foram realizadas por meio da plataforma Zoom.
 Aplicabilidade do Trabalho: A compreensão de como os discursos oficiais de governos ultraconservadores, proposto no estudo, provoca um alerta para gestores elaborarem mecanismos de mitigação de violências sofridas pelos trabalhadores. Além de apoiar a criação e garantir o funcionamento dos grupos de afinidade, bem como monitorar eventuais doenças e afastamentos relacionados ao minority stress. 
 Contribuições para Sociedade: Compreendendo o papel social da empresa, entendendo que trabalhadores e empregadores fazem parte da sociedade e que precisam trabalhar em conjunto para um ambiente mais equalitário, o presente trabalho contribui com o intuito de a sociedade ter uma melhor percepção do problema por meio da visão holística de quem sofre (grupos não hegemônicos). Assim como o governo e as organizações apoiadoras em repensar suas estruturas diante de um grupo heterogêneo e com múltiplas particularidades. 
 Originalidade: As discussões políticas sobre como gerir um país são saudáveis no ambiente democrático. O que estamos percebendo é que um lado da balança vem violando regras do regime democrático, como quando há intensificação de lados políticos, grupos não hegemônicos são os primeiros a terem seus direitos reduzidos. Esse estudo tenta mostrar a influência oculta dessa extrema-direita no cotidiano empresarial.
Ficha do documento
- Tipo
- Tese
- Ano
- 2022
- Instituição
- Fundação Getulio Vargas
- Fonte
- Repositório da FGV
- Idioma
- Português
- Acesso
- Não informado
- Identificador
- oai:repositorio.fgv.br:10438/32473
- Temas
- Economia
Conteúdos relacionados
- TeseOrientação sexual e discriminaçãoFundação Getulio Vargas · 2017
- DissertaçãoOs discursos de Olavo de Carvalho nas obras A Nova Era e a Revolução Cultural e O Jardim das AfliçõesFundação Getulio Vargas · 2024
- DissertaçãoUm olhar sobre o capacitismo na administração pública brasileira, a partir das percepções dos servidores públicos com deficiênciaFundação Getulio Vargas · 2024
- DissertaçãoEssays on the economics of online social interactionsFundação Getulio Vargas · 2023